Único brasileiro em audiência diz que Pix ajuda empresas dos EUA

Professor da FGV diz que sistema aumentou uso de crédito e defende que Banco Central seja transparente contra desconfiancas do mercado

O Brasil tem, até o momento, um único representante inscrito na audiência pública sobre a possível aplicação de tarifas de 25% pelos Estados Unidos, marcada para 6 de julho, em Washington. O economista e professor da FGV (Fundação Getulio Vargas) Gustavo Sampaio defende o Pix como porta de entrada de consumidores na economia e afirma que a ferramenta beneficia empresas estrangeiras e operadoras de cartão de crédito.

O encontro integra uma investigação do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, na sigla em inglês). Até o momento, não há confirmação de presença de integrantes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Professor da FGV, Sampaio argumenta que o Pix funciona mais como uma infraestrutura do que apenas como meio de pagamento. Ao acelerar transações, o sistema contribui para a bancarização da população e estimula o acesso ao crédito e ao comércio internacional.

“É saudável para empresas brasileiras, norte-americanas e para o comércio em geral. É do maior interesse. As pessoas começam a se bancarizar com o Pix e a adquirir outros tipos de serviços. A minha ideia é apresentar e desmistificar alguns pontos”, disse ao Poder360. Ele acrescentou que sua posição é mais confortável por não representar o governo brasileiro nem o Banco Central. “Estou como pesquisador. Ao estudar tanto esta área, compreendo a importância desse sistema e tento fazer a minha parte”, completou.

A tese do economista converge com a do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Segundo o chefe da autoridade monetária, o uso de cartões de crédito aumentou com a maior adesão da população aos serviços financeiros impulsionados pelo sistema de pagamentos instantâneos.

Um relatório do BC mostrou que o volume total de transações no mercado brasileiro cresceu 13%, chegando a 78,4 bilhões de operações. No 2º semestre de 2025, o uso de cartões de crédito avançou 9,4% e o de cartões pré-pagos subiu 2,2%. Já o cartão de débito registrou queda de 0,2%, mantendo-se estável.

A investigação norte-americana se baseia em um documento divulgado pela Casa Branca em 1º de abril de 2026. O texto afirma que o Pix pode prejudicar empresas de pagamento dos EUA, como Visa e Mastercard, que operam no Brasil.

TRANSPARÊNCIA DO BC

Para Sampaio, as críticas de Washington ao Pix têm caráter político. Ele reconhece, porém, que há falta de transparência do Banco Central e do governo federal sobre o funcionamento da ferramenta, o que alimenta ruídos no mercado. “Imagina, a implementação foi rápida e são milhões de transações, muita gente querendo usar e o BC tentando ajustar o sistema. Acaba se criando uma certa desconfiança”, afirmou.

O professor explica que o Banco Central foi historicamente desenhado para controlar a inflação. Ao criar e gerir o Pix com recursos do orçamento, a autarquia assumiu papel de formuladora de política pública de Estado e, segundo ele, precisa reforçar a transparência.

Uma das críticas dos Estados Unidos é de que o BC adotaria práticas discriminatórias ao obrigar instituições financeiras a oferecerem o Pix gratuitamente. Para o economista, o governo precisa mitigar essas desconfianças. “O BC tem que mostrar para o mercado privado que não existe uma preferência pelo Pix”, concluiu Sampaio.

GOVERNO ESPERA TARIFAS

Como apurou o Poder360, a avaliação do Palácio do Planalto é de que as tarifas de 25% devem ser confirmadas, com poucas chances de avanço nas negociações. Os temas usados pelo governo de Donald Trump (Partido Republicano) para justificar as medidas são considerados inegociáveis.

Lula tem rebatido as justificativas  dos Estados Unidos e afirmou que o país “mente” para taxar o Brasil. Recentemente, o ministro Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) teve uma reunião virtual inconclusiva com Jamieson Greer, representante comercial norte-americano.

AUDIÊNCIA E INVESTIGAÇÃO

A audiência antecede a decisão final do governo dos Estados Unidos sobre a possível imposição de tarifas de 25% contra produtos brasileiros. O USTR estabeleceu o seguinte cronograma:

22 de junho: prazo final para pedidos de participação na audiência;
1º de julho: envio de comentários por escrito;
6 de julho: audiência pública.

As manifestações podem ser enviadas pelo site oficial do USTR e integram o processo formal, podendo influenciar a decisão final da investigação.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-economia/unico-brasileiro-em-audiencia-diz-que-pix-ajuda-empresas-dos-eua/

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