Petrobras anunciou redução de 14,2% na 2ª feira (1º.jun.2026); aéreas ainda avaliam impacto
O preço do QAV (Querosene de Aviação) subiu 97,6% desde o início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro. O valor médio da venda por produtores e importadores saltou de R$ 3,36 por litro na semana iniciada em 23 de fevereiro para R$ 6,64 na semana de 18 a 24 de maio –dado mais recente da série histórica divulgada pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).
Na 2ª feira, a Petrobras anunciou redução de 14,2% no preço do QAV vendido em suas refinarias. A queda representa uma redução de R$ 0,93 por litro. O combustível é o principal custo para companhias aéreas e tem peso relevante na precificação de passagens.
A Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), entidade que representa as principais companhias do país, afirmou que ainda analisa o impacto da redução anunciada pela Petrobras. Segundo a entidade, ela “alivia um pouco a pressão” provocada pelos aumentos registrados nos últimos meses, mas ainda não há uma avaliação consolidada sobre os efeitos para o setor.
A redução no preço do QAV vem depois de uma sequência de altas relevantes no combustível. Em abril, a Petrobras havia informado que o reajuste contratual previsto para o QAV era de 54,8%. A estatal, no entanto, ofereceu às distribuidoras que atendem a aviação comercial a possibilidade de pagar aumento imediato de 18%, com parcelamento da diferença em 6 vezes a partir de julho.
A decisão da Petrobras tem peso relevante para o setor por 2 motivos:
a maior parte do QAV consumido no país é produzida nacionalmente;
a empresa tem participação de cerca de 85% na produção brasileira do combustível, o que faz com que seus reajustes tenham impacto direto sobre o preço atribuído ao produto nos terminais aeroportuários.
Segundo a Abear, o QAV passou a responder por 45% dos custos operacionais das empresas depois das altas recentes.
ISENÇÃO EM CURSO
Com a alta do combustível, o governo federal adotou medidas para tentar conter a pressão sobre o setor aéreo. Em abril, o Decreto nº 12.924 de 2026 reduziu a zero as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre o combustível até 31 de maio. O governo posteriormente prorrogou a isenção tributária até 31 de julho de 2026, por meio do Decreto nº 12.991, medida que foi vista com bons olhos pelo setor.
A estimativa oficial inicial era de impacto de R$ 79 milhões em 2 meses com a desoneração do QAV. Em termos mensalizados, o custo foi calculado em cerca de R$ 40 milhões ao governo federal. Com a prorrogação por mais 2 meses, o gasto efetivo dependerá do volume comercializado e da arrecadação que deixará de ser recolhida no período.
PRESSÃO NAS PASSAGENS
A escalada do querosene já aparece nos preços das passagens aéreas domésticas. Em abril de 2026, o tíquete médio ficou em R$ 669,41, o maior valor para o mês desde 2022, considerando dados corrigidos pelo IPCA da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Na comparação com abril de 2025, a tarifa média subiu 9%.
Os dados ainda mostram que a pressão foi mais forte logo depois do início da guerra no Irã. A tarifa média doméstica saiu de R$ 621,92 em fevereiro para R$ 711,90 em março, alta de 14,5%. Em abril, recuou para R$ 669,41 –muito por conta da sazonalidade dos preços–, mas ainda permaneceu 7,6% acima do nível de fevereiro.
O patamar de abril de 2022 também havia sido pressionado por uma crise internacional no mercado de petróleo, naquela época por causa do início da guerra na Ucrânia. Assim como agora, o choque externo elevou o preço dos combustíveis e afetou os custos das companhias aéreas.
Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-economia/querosene-de-aviacao-quase-dobrou-de-preco-no-pos-guerra/