Decano do Supremo afirma que Brasil tem respondido ao desafio, mas declara que a regulação “chega um pouco a destempo”
O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes declarou nesta 2ª feira (1º.jun.2026) que se preocupa com o “mau uso” da inteligência artificial e a possibilidade de influência nas eleições. Ele disse esperar que o TSE esteja preparado para responder ao desafio.
“Nós sabemos, já vimos vários casos de mau uso da inteligência artificial e isso preocupa. É preciso que haja algum controle”, declarou a jornalistas no 14º Fórum de Lisboa. “Nessas eleições, nós vamos ter, certamente, uso e abuso de IA”, afirmou.
Assista (9min48s):
Segundo o decano do STF, um dos grandes desafios é que tecnologia e regulação não avançam na mesma velocidade.
“A regulação chega um pouco a destempo, desatualizada. Mas temos conseguido dar respostas adequadas, acredito. O Brasil, hoje, é um país de vanguarda no que diz respeito à regulação das redes. Estamos avançando”, declarou.
“Acho que estamos avançando e dialogando também com as big techs, criando um estatuto adequado de regulação. Espero que também tenhamos esse ambiente no pleito eleitoral”, disse.
Ao falar sobre defender a democracia, o magistrado afirmou que o Brasil “tem sabido fazer a defesa” da soberania.
“Como demonstramos nas discussões todas que tivemos em torno da [lei] Magnitsky [dos EUA], as discussões que tivemos em torno –e temos tido– em torno das redes sociais. Eu confio na institucionalidade e na defesa institucional da nossa soberania. Temos feito todo esforço nesse sentido e vamos preservar todo esse debate em nível elevado”, declarou.
MESSIAS
Gilmar voltou a dizer que a rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo foi uma questão política: “Ele não foi rejeitado por falta de qualificação jurídica. Ninguém constatou isso e todo o debate não passou por aí”.
“É uma crise entre o governo e o Senado. Pelo menos foi isso que foi revelado. E, a partir daí, é que nós devemos fazer as nossas análises e esperar, portanto, as conclusões. Vamos analisar”, disse.
14º FÓRUM DE LISBOA
O tema do Fórum de Lisboa deste ano é “Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais”. Todos os debates serão realizados de 1º a 3 de junho na Universidade de Lisboa.
O evento terá a presença de nomes como Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, Magda Chambriard, presidente da Petrobras, e Aloízio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
A edição deste ano tem menos integrantes do STF, STJ, do TCU, do governo Lula e de governadores.
Em compensação, o número de palestrantes internacionais é recorde, mostrando uma uma mudança de embocadura neste ano.
O 14º Fórum de Lisboa recebeu o Alto Patrocínio da Presidência da República Portuguesa, dada pelo presidente português a iniciativas, eventos, congressos, projetos ou comemorações que são considerados de especial interesse público, relevância cívica, cultural, científica, social ou econômica para Portugal.
Não se trata de conceder financiamento ou apoio material. É uma chancela de reconhecimento e prestígio institucional.
A distinção, segundo a organização do evento, “reconhece a relevância institucional, acadêmica e cívica do evento, bem como sua contribuição para o fortalecimento do debate democrático e para a reflexão sobre os desafios contemporâneos enfrentados por Portugal, pelo Brasil e pela comunidade internacional”.
Leia mais:
Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes/teremos-uso-e-abuso-de-ia-nas-eleicoes-diz-gilmar/