Apesar de difícil, ex-presidente declara que “não é improvável” e que “há tempo para muita coisa”
O ex-presidente Michel Temer disse nesta 2ª feira (1º.jun.2026) que “não é fácil” romper a polarização nas eleições de 2026, protagonizadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL). “Mas não é improvável”, declarou.
“Não se sabe o que vai acontecer, a pesquisa de hoje não é a pesquisa de amanhã”, disse ao ser questionado pelo Poder360 durante o 14º Fórum de Lisboa. Temer afirmou ser preciso esperar até meados de julho, quando as campanhas eleitorais começam. “Temos muito pela frente ainda, muita coisa pode surgir”, afirmou.
Assista (3min2s):
Temer disse que ainda “há tempo para muita coisa”. Declarou não saber se o rompimento da polarização viria por uma 3ª via ou “outra via”.
Ele disse: “Acho que é fundamental, e isso é importante, é que haja projetos que os candidatos apresentem”.
O ex-presidente disse ter conversado com alguns pré-candidatos e que, nessas oportunidades, declarou ser importante que, já no começo do próximo mandato presidencial, o eleito chame representantes do Judiciário, do Legislativo e da oposição para conversar. A ideia, segundo ele, é ter “um pacto republicano” no Brasil para “tirar esse mal-estar que existe hoje” no país.
“Isso teria uma repercussão interna extremamente favorável e externamente mais favorável ainda”, afirmou.
PCC e CV
Temer disse que a decisão dos EUA de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas não afeta a soberania do Brasil. Ele defendeu que Brasil e EUA trabalhem juntos, já que o crime organizado se internacionalizou.
“Quando há um decreto dessa natureza, evidentemente isso será discutido, conversado e levado adiante com as autoridades brasileiras. O que não se pode permitir é uma intervenção direta nas questões internas do país”, declarou.
14º FÓRUM DE LISBOA
O tema do Fórum de Lisboa deste ano é “Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais”. Todos os debates serão realizados de 1º a 3 de junho na Universidade de Lisboa.
O evento terá a presença de nomes como Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, Magda Chambriard, presidente da Petrobras, e Aloízio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
O número total de participantes no Fórum de Lisboa aumentou de 360 em 2025 para 450 em 2026. É um recorde para o evento. Mas o total de autoridades brasileiras caiu com relação ao ano passado –a única exceção é no Legislativo, que terá 2 congressistas a mais neste ano. A mudança de embocadura do tema central do encontro, mais globalizado, é a razão de haver mais palestrantes de outros países e não apenas do Brasil e de Portugal.
O 14º Fórum de Lisboa recebeu o Alto Patrocínio da Presidência da República Portuguesa, dada pelo presidente português a iniciativas, eventos, congressos, projetos ou comemorações que são considerados de especial interesse público, relevância cívica, cultural, científica, social ou econômica para Portugal.
Não se trata de conceder financiamento ou apoio material. É uma chancela de reconhecimento e prestígio institucional.
A distinção, segundo a organização do evento, “reconhece a relevância institucional, acadêmica e cívica do evento, bem como sua contribuição para o fortalecimento do debate democrático e para a reflexão sobre os desafios contemporâneos enfrentados por Portugal, pelo Brasil e pela comunidade internacional”.
FESTAS E JANTARES PRIVADOS
Durante os dias que passam em Portugal, representantes de empresas privadas aproveitam para oferecer festas e jantares privados para os participantes –oportunidade que empresários têm para se aproximar de operadores do direito que atuam no Poder Judiciário. Esse tipo de contato é criticado por quem considera impróprios tais encontros.
Gilmar Mendes pensa de forma diferente. O decano do STF argumenta que reuniões como o Fórum de Lisboa permitem aos integrantes do Judiciário refletir sobre temas contemporâneos relevantes, trocar experiências entre si e assim estarem mais preparados para o exercício da magistratura.
Entre os empresários confirmados no Fórum de Lisboa 2026 estão:
André Esteves – co-fundador da Inteli, chairman e sócio sênior do BTG Pactual;
Fábio Chilo – diretor jurídico da JBS;
Luiza Trajano – presidente do Conselho de Administração Magazine Luiza;
Luiz Carlos Trabuco Cappi – presidente do Conselho de Administração do Banco Bradesco;
Ricardo Faria – fundador e chairman do Grupo Granja Faria;
Fábio Gaspar – Country Tax Manager da Shell Brasil;
Eduardo Lopes – diretor senior de Políticas Públicas do Nubank e CEO da Zetta;
Anderson Baranov – CEO Norsk Hydro Brasil e presidente do Conselho Diretor do Simineral PA.;
Eduardo Sattamini – CEO da Engie Brasil.
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