Sonia Guajajara acompanha indígenas na Bahia depois de ataque

Conflito com fazendeiros levou à morte da pajé Nega Pataxó e deixou 3 feridos; ministra elabora plano de proteção territorial

A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara (PSOL), está, desde 2ª feira (22.jan.2024), no sul da Bahia, onde Maria de Fátima Muniz, pajé do povo Pataxó Hã Hã Hãe foi assassinada no domingo (21.jan). Ela esteve no velório e visitou o cacique Nailton Muniz, irmão de Maria. Ele está hospitalizado e se recupera de uma cirurgia depois de ter sido baleado no abdômen.

A pajé e o cacique foram vítimas de confronto entre indígenas e fazendeiros em uma área próxima à Terra Indígena Caramuru-Catarina Paraguassu, que abrange as cidades de Pau Brasil, Camacan e Itaju do Colônia.

A ministra chefia uma comitiva interministerial que também conta com a presença da presidente da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), Joenia Wapichama, e representantes dos ministérios da Justiça, do Desenvolvimento Agrário, dos Direitos Humanos e da Saúde. 

Durante a visita, Guajajara afirmou que o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) elaborará um plano de proteção territorial para os 12 territórios indígenas do sul e do sudoeste baiano em conjunto com as comunidades.  

“Seguiremos acompanhando o caso e cobrando a responsabilização dos criminosos. E também seguiremos nosso trabalho em defesa dos territórios indígenas. O respeito à terra é a única saída que temos para a paz e um Brasil de direitos”, declarou a ministra no X.

Segundo o Ministério, no domingo (21.jan), cerca de 200 ruralistas, organizados por meio de um grupo de WhatsApp, se mobilizaram para recuperar a posse de uma fazenda ocupada pelos Pataxó Hã Hã Hãe “sem decisão judicial e por meios próprios e violentos”. 

Além da morte da pajé Maria de Fátima Muniz, conhecida como Nega Pataxó, e da hospitalização do cacique Nailton Muniz, outra mulher teve o braço quebrado. Um fazendeiro também ficou ferido com uma flechada no braço, mas está estável. 2 homens foram detidos, incluindo o responsável pelos disparos que mataram a indígena.

Em comunicado, o MPI afirmou que a PM-BA (Polícia Militar da Bahia) presenciou os tiros contra os indígenas, que não portavam armas de fogo. No texto, há relatos de que a PM teria dado “anuência” aos ataques e que policiais teriam sido omissos no socorro às vítimas, além de terem dado apoio a fazendeiros. Eis a íntegra (PDF – 3 MB).

Em vídeo, um homem que grava a mobilização dos fazendeiros e afirma que a PM e a Cipe (Companhia Independente de Policiamento Especializado Caatinga) estariam participando da ação de retirada dos indígenas em uma fazenda. “Mobilizamos todos os fazendeiros da região junto com o policiamento para desestabilizar essa quadrilha de ‘índio’”.

 

Os Fazendeiros e Pistoleiros fazem parte de uma organização chamada “Invasão Zero” que tem como lema “Na Bahia, invasão de propriedade não se cria” se referindo a luta dos povos indígenas de retomar o território ancestral. ABSURDO!!! pic.twitter.com/1najgWngGl

— Fabrício Titiah 🏹 (@fabriciotitiah) January 22, 2024

Procurada pelo Poder360 para comentar as acusações, a PM-BA não respondeu este jornal digital até a publicação deste texto. O espaço segue aberto. 

GRUPO “INVASÃO ZERO”

Segundo a diretora Mediação e Conciliação de Conflitos Agrários do MDA (Ministério de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar), Claudia Dadico, a ouvidoria do ministério tem recebido denúncias sobre a atuação do mesmo grupo coordenado por ruralistas envolvido no ataque de domingo (21.jan) em outros Estados do Brasil.

O MPI atribuiu o ataque a um grupo de fazendeiros autodenominado como “Invasão Zero”. O grupo, que teria origem na Bahia, se movimenta nas redes sociais e se organiza também no Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Pará, Goiás, Maranhão, Tocantins e em Brasília.

O movimento foi contactado pelo Poder360, mas não obteve resposta do grupo até o fechamento deste texto. O espaço segue aberto.

A Faeb (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia), instância que representa os produtores e sindicatos rurais do Estado, emitiu uma nota sobre o caso na 2ª feira (22.jan) afirmando lamentar “profundamente os graves fatos ocorridos”.

A organização reiterou o desejo pelo combate às invasões de terra e disse estar em constante alerta aos Poderes Constituídos sobre o “perigo iminente de conflito” no campo.

Veja imagens sobre o caso:

Fonte: https://www.poder360.com.br/governo/sonia-guajajara-acompanha-indigenas-na-bahia-depois-de-ataque/

Deixe um comentário