Rombo fiscal anualizado supera R$ 1,2 trilhão, o maior da história

Saldo negativo nas contas públicas subiu 28,4% em 1 ano; dívida voltou ao patamar da pandemia de covid-19

O deficit nominal anualizado nas contas públicas atingiu R$ 1,218 trilhão no acumulado de 12 meses até março. Esse foi o maior rombo fiscal acumulado em 12 meses registrado na série histórica, iniciada em 2002. O Banco Central divulgou os dados na 5ª feira (30.abr.2026). Eis a íntegra do comunicado (PDF – 396 kB).

O resultado nominal anualizado do setor público consolidado –formado por União, Estados, municípios e estatais– está há 7 meses seguidos acima de R$ 1 trilhão. O saldo negativo cresceu pelo 9º mês seguido.

Dois fatores contribuíram para a alta do deficit nominal: 1) gastos com juros da dívida e 2) saldo negativo entre receitas e despesas primárias.

Os gastos com juros da dívida subiram de R$ 1,037 trilhão em fevereiro para R$ 1,080 trilhão em março. Foi o maior valor anualizado da série histórica.

O encarecimento da dívida está atrelado ao patamar da taxa básica, a Selic. O Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu o juro-base em 0,25 ponto percentual na 4ª feira (29.abr.2026), patamar que ainda é considerado elevado e restritivo para a atividade econômica.

Já o resultado primário –que exclui os gastos com juros da dívida– foi deficitário em R$ 137,1 bilhões no acumulado de 12 meses até março. Em fevereiro, o saldo negativo era de R$ 52,8 bilhões.

DEFICIT EM MARÇO

Em março, o setor público consolidado teve deficit primário de R$ 80,7 bilhões. O saldo negativo foi puxado pelo governo central, com rombo de R$ 74,8 bilhões, e pelos governos regionais, com deficit de R$ 5,4 bilhões.

As estatais também ficaram no vermelho em, aproximadamente, R$ 500 milhões.

O gasto com juros nominais do setor público consolidado somou R$ 118,9 bilhões em março de 2026. Foi de R$ 75,2 bilhões em março de 2025.

RESULTADOS PRIMÁRIO X NOMINAL

O resultado primário mostra se o governo gastou mais do que arrecadou, sem considerar os juros da dívida pública. Quando há superavit primário, significa que a receita com impostos, contribuições e outras fontes foi suficiente para cobrir as despesas correntes e os investimentos.

Já o deficit primário indica que o governo precisou se endividar mesmo antes de pagar os juros. O resultado nominal, por sua vez, engloba o resultado primário mais os gastos com juros da dívida pública. Reflete de forma mais ampla a situação das finanças públicas, pois mostra o impacto total da política fiscal sobre o endividamento do país. Assim, um governo pode ter superavit primário, mas ainda registrar deficit nominal se os juros forem muito elevados.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-economia/rombo-fiscal-anualizado-supera-r-12-trilhao-o-maior-da-historia/

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