EUA lideram redução de auxílio para desenvolvimento segundo a OCDE; deixam de ser os maiores doadores
Países ricos reduziram em 28% a ajuda aos de menor renda em 2025 em relação a 2023. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico apresentou em abril dados preliminares sobre o auxílio dado pelos integrantes de seu Comitê de Assistência ao Desenvolvimento.
Ministros do G7 discutiram em Paris, na 4ª feira (29.abr.2026) e na 5ª feira (30.abr), a ajuda financeira a países de baixa renda. O grupo reúne as maiores economias do mundo. A declaração conjunta dos ministros diz que é necessário ter maior eficiência na assistência para as nações mais pobres. Leia a íntegra em inglês (PDF – 807 kB).
A OCDE tem sede em Paris. Houve um seminário sobre a ajuda para o desenvolvimento em 28 de abril, antes da reunião dos ministros.
Assista (1min46s):
Os dados da organização mostram queda de 23% na ajuda aos países pobres de 2024 para 2025. A redução havia sido de 6% de 2023 para 2024. A queda acumulada de 2023 para 2025 foi de 28%.
O total da ajuda dos integrantes do Comitê de Assistência ao Desenvolvimento da OCDE foi de US$ 174 bilhões em 2025. Equivale a US$ 165 bilhões em valor do início de 2024. O cálculo mostra a queda real. O valor total de 2025 foi superior só ao de 2015 em valores corrigidos.
QUEDA DE 56% DOS EUA COM TRUMP
Os Estados Unidos são responsáveis pela maior parte da queda em 2025. A ajuda externa do país contabilizada pela OCDE em 2023 foi US$ 66 bilhões (em valor de 2024). Em 2024, ficou quase estável, com US$ 65 bilhões. À época, Joe Biden (Partido Democrata) era presidente.
Em 2025, Donald Trump (Partido Republicano) tornou-se chefe do Executivo dos EUA. O governo norte-americano diminuiu em 56% as doações aos países pobres, para US$ 28 bilhões (em valor de 2026). Deixaram de ser o maior doador. A Alemanha enviou US$ 100 milhões a mais e passou a ocupar o 1º lugar.
PATAMAR ANTERIOR NÃO VOLTARÁ
Éléonore Caroit, responsável pela ajuda a outros países no governo da França, disse ao Poder360 que o objetivo do G7 não é retomar o patamar anterior de doações dos países da OCDE. “A ideia não é voltar ao passado”, declarou. Caroit é ministra delegada para Francofonia e Parcerias Internacionais. Integra o Ministério da Europa e Relações Exteriores.
A ministra disse que os programas de desenvolvimento precisam de maior eficiência. “É muito importante ter mais impacto”, afirmou. Caroit liderou a reunião dos ministros do G7. A declaração final defende novos sistemas de ajuda financeira que evitem redundância. Os ministros avaliam que atualmente há excesso de programas sobre os mesmos temas em cada região.
Atualmente, a França preside o G7. A reunião de chefes de Estado e de governo do grupo será realizada de 15 a 17 de junho em Evian. Debaterá os atuais desafios econômicos globais. Incluirá, além da ajuda para o desenvolvimento, a falta de investimentos privados, a concorrência predatória e o protecionismo.
Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-internacional/ajuda-de-paises-ricos-aos-pobres-cai-28-em-2-anos/