Zohran Mamdani recebeu o presente de dirigentes do clube e de Casagrande, um dos símbolos da Democracia Corintiana
Zohran Mamdani (Partido Democrata), prefeito de Nova York, ganhou camisas do Corinthians no sábado (22.jun.2026). O presente foi entregue por dirigentes do clube e pelo ex-jogador Walter Casagrande, um dos símbolos da “Democracia Corintiana”.
A homenagem veio em resposta a um vídeo publicado por Mamdani no qual ele comentava a trajetória do jogador Sócrates e da “Democracia Corinthiana” O registro circulou pouco antes da estreia do Brasil na Copa do Mundo, contra o Marrocos.
No vídeo, o prefeito da maior cidade dos Estados Unidos disse que vinha pensando em Sócrates e no papel que o atleta exerceu durante a ditadura militar brasileira. “Sócrates jogou pelo Brasil nos anos 1970 e 1980, incluindo a Copa do Mundo de 1982, quando capitaneou a seleção. Esses foram anos difíceis no Brasil. Uma junta militar repressiva governava o país, impondo seu domínio pela força”, afirmou.
Assista ao vídeo (1min05s):
Mamdani também descreveu o modelo de gestão coletiva adotado dentro do Corinthians naquele período. “No Corinthians, o clube que capitaneou, Sócrates e seus companheiros participaram do que os brasileiros comuns chamavam democracia. Eles começaram um experimento de autogoverno chamado Democracia Corinthiana. Quer você fosse o centroavante estrela ou trabalhasse na lavanderia, você tinha um voto”, disse no vídeo.
O prefeito também destacou a dimensão política das ações de Sócrates fora de campo. “E enquanto a ditadura militar estava torturando e assassinando seus cidadãos, Sócrates liderou os jogadores para o campo, usando camisas com as palavras ‘Eu quero votar para presidente’ nas costas”, seguiu.
Mamdani encerrou o vídeo com uma reflexão sobre o papel do futebol. “O futebol criou movimentos, ajudou a derrubar ditadores, e por 90 minutos de cada vez, não apenas nos permitiu esquecer nossos problemas, mas encontrar maneiras de superá-los. Que belo jogo”, concluiu.
Democracia Corinthiana
A Democracia Corinthiana surgiu no começo dos anos 1980 como um movimento que unia esporte e participação política. Sócrates, Wladimir, Casagrande e Zenon estavam entre os jogadores que lideraram a iniciativa. O movimento apoiou a mobilização pela redemocratização do país e defendeu a retomada das eleições diretas para presidente, interrompidas desde 1960.
Dentro do clube, a iniciativa transformou a gestão interna. Contratações, definições de elenco e normas do cotidiano deixaram de ser decididas apenas pela diretoria ou pela comissão técnica. Todos os integrantes, fossem jogadores, funcionários ou o treinador, participavam das deliberações com direito a voto de igual valor.