O preço médio do etanol ficou em 64,5% do valor da gasolina comum na semana iniciada em 17 de maio. É o menor patamar da série analisada desde 22 de fevereiro. Com isso, o biocombustível se manteve pelo 9º levantamento consecutivo abaixo da chamada regra dos 70%, referência usada para indicar quando o etanol tende a compensar financeiramente em relação à gasolina em carros flex.
Esses dados são da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis) para a semana de 17 a 22 de maio. A melhora relativa do etanol ocorre sob a pressão da guerra no Irã sobre as cotações internacionais do petróleo.
Como a gasolina é derivada do petróleo, a alta do barril tende a elevar os custos de produção e importação do combustível fóssil no Brasil. O etanol, por outro lado, é produzido a partir da cana-de-açúcar e tem dinâmica de preço mais ligada ao mercado agrícola, à oferta doméstica e ao período de safra.
QUEDA GRADUAL DO ETANOL
Na série analisada, a relação entre etanol e gasolina estava em 73,7% na semana iniciada em 22 de fevereiro, antes do início da guerra. O percentual caiu gradualmente nas semanas seguintes e passou a ficar abaixo dos 70% a partir da semana de 22 de março. Desde então, permaneceu mais competitivo em relação à gasolina.
A conta usada como referência compara o preço do litro do etanol com o preço do litro da gasolina. O etanol tende a compensar quando custa até 70% da gasolina porque, em média, rende 30% menos por litro. Assim, se a gasolina custa R$ 6,00, o etanol tende a ser vantajoso quando está até R$ 4,20.
A regra, porém, é uma referência geral. A vantagem pode variar conforme o modelo do carro, a eficiência do motor, o tipo de condução e as condições de uso. Também há diferenças relevantes por Estados e municípios, já que os preços nos postos dependem de fatores como tributação, logística, margem de revenda e proximidade das regiões produtoras.
DIESEL, GLP E GASOLINA
O movimento do etanol ocorre em uma semana de queda mais ampla nos preços dos combustíveis pesquisados pela ANP. A gasolina comum, apesar de ter permanecido menos vantajosa, recuou de R$ 6,66 para R$ 6,62 por litro ante a semana anterior.
Já o diesel comum passou de R$ 7,00 para R$ 6,93 por litro. E o diesel S-10, mais usado pela frota recente e pelo transporte de cargas, caiu de R$ 7,20 para R$ 7,16.
O GLP –gás liquefeito petróleo, popularmente chamado de gás de cozinha–, vendido em botijão de 13 kg, teve recuo menor, de R$ 114,77 para R$ 114,58.