Polícia aponta depósitos suspeitos e ligação de empresas da influenciadora com integrantes da facção; defesa nega
O delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, disse à TV Band nesta 6ª feira (22.mai.2026) que as empresas da advogada e influenciadora Deolane Bezerra têm circulação de dinheiro do PCC.
Deolane foi presa na 5ª feira (21.mai) por suspeita de participar da lavagem de dinheiro da organização criminosa. Segundo os investigadores, a influencer recebeu R$ 1 milhão em depósitos fracionados abaixo de R$ 10.000 de 2018 a 2021. Também foram identificados quase 50 depósitos destinados a duas empresas da influenciadora, no total de R$ 716 mil.
“E os fatos nos levaram a crer que essas empresas da Deolane têm circulação de dinheiro com o crime organizado, com a Paloma, que também é sobrinha do Marcola (líder do PCC). Ela abriu 35 empresas em duas casas simples no interior de São Paulo, lá próximo a Presidente Venceslau”, disse o delegado.
Em audiência de custódia, Deolane afirmou que foi presa “no exercício da profissão”. Disse que recebeu R$ 24.000 de um cliente que, segundo ela, constava em relatório policial acompanhado por sua atuação como advogada. O delegado afirmou, porém, que a investigação identificou outros repasses sem relação comprovada com serviços advocatícios.
“Nós temos a constatação de outros valores recebidos que não têm qualquer ligação com qualquer tipo de serviço prestado. Então, isso traz indícios de que essa circulação de dinheiro é fictícia”, afirmou o Artur Dian.
Assista à audiência de custódia de Deolane Bezerra (5min59s):
Em nota desta 6ª feira (22.mai.2026), a defesa da Deolane afirmou que ela tem “absoluta inocência” nas acusações de elo com o PCC.
A influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi transferida nesta 6ª feira (22.mai) para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo. Ela estava presa na Penitenciária Feminina de Santana, na zona norte da capital paulista. Foi detida na 5ª feira (21.mai.2026), em Alphaville, distrito de Barueri.
OPERAÇÃO VÉRNIX
A operação Vérnix, que prendeu a influenciadora na 5ª feira (21.mai), investiga o uso de uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau (SP) como empresa de fachada. Segundo a apuração, a estrutura teria sido usada para movimentar dinheiro da cúpula do PCC e repassar valores a familiares de Marcola e a terceiros.
A investigação começou em 2019, depois da apreensão de bilhetes e manuscritos com 2 presos na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. O material citava ordens internas da facção, contatos com integrantes de alta hierarquia e menções a ações violentas contra servidores públicos.
Um dos trechos mencionava uma “mulher da transportadora”, que teria levantado endereços de agentes públicos. A partir disso, os investigadores passaram a apurar a relação da empresa de cargas com o PCC.
Segundo a investigação, os bilhetes não mencionavam o nome da influenciadora, mas foram o pontapé inicial para as investigações mostrarem que Deolane possivelmente recebia valores provenientes de uma transportadora criada pela facção.