Ministro quer ampliar “participação internacional” e ter “documento com metas” na edição de 2027, que será de 5 a 7 de julho
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, disse nesta 4ª feira (3.jun.2026) que a ideia do Fórum de Lisboa 2027 é seguir com temas mais internacionais e abrangentes, assim como foi na edição deste ano. Afirmou que a 15ª edição será realizada de 5 a 7 de julho de 2027, com “painéis integralmente em inglês” e a produção de um “documento final com metas e objetivos a serem perseguidos”.
“Aqui se desenha um novo passo para o Fórum, que é de, eventualmente, deixarmos de chamar simplesmente Fórum de Lisboa e passarmos a chamar Fórum Mundial de Lisboa, modéstia às favas”, declarou o decano do Supremo na cerimônia de encerramento.
No discurso, falou sobre as críticas que o evento recebe, como ser realizado em Portugal quando poderia ser no Brasil. “Recebemos com serenidade as críticas, inclusive aquelas marcadas por leituras apressadas, incompreensões ou oportunismos. Também elas, à sua maneira, contribuem para ampliar a visibilidade do trabalho a ser construído”, disse.
Depois, em entrevista a jornalistas, reforçou a importância da participação de personalidades de diversos países, não só brasileiros: “Acho que conseguimos a maior internacionalização, o que nós já perseguíamos. Tivemos participação de 15 países, ou seja, 51 palestrantes de 15 países”.
O ministro disse que os nomes internacionais foram “extremamente importantes” para a realização de “debates muito relevantes e úteis” sobre questões como soberania, soberania digital e o avanço de tecnologias.
Assista (1min58s):
Balanço da 14ª edição
Segundo a organização, o balanço de 3 dias de evento foi positivo: 2.435 credenciados, 432 palestrantes, 2.867 participantes e 70 painéis.
O 14º Fórum de Lisboa teve uma mudança de embocadura. Ficou mais globalizado e teve recorde de palestrantes internacionais –e não só concentrado em temas brasileiros e portugueses.
Na edição deste ano, Gilmar escolheu um tema mais abrangente: nova ordem internacional, tecnologia e soberania. Entre os convidados internacionais estrelados estiveram o israelense-americano Joel Mokyr (prêmio Nobel de Economia), o norte-americano Thomas Friedman (prêmio Pulitzer) e o ex-presidente da Colômbia Iván Duque.
Friedman, colunista de assuntos internacionais do The New York Times e vencedor do prêmio Pulitzer por 3 vezes, participou do evento na 3ª feira (2.jun). Disse que o uso da IA (inteligência artificial) é a maior questão legal, judicial, ética e democrática com a qual o mundo lida atualmente.
O jornalista declarou também que o presidente da China, Xi Jinping, opera na lógica de “vamos produzir tudo para todos”. Segundo ele, o país asiático busca fazer com que “todos no mundo dependam” deles, mas que eles “não dependam de ninguém” –algo que declarou não ser sustentável e que pode se virar contra os chineses. Leia a íntegra do discurso de Friedman em inglês (PDF – 170 kB) e em português (PDF – 183 kB).
Já o holandês naturalizado norte-americano Joel Mokyr, vencedor do Nobel de Ciências Econômicas de 2025, disse nesta 4ª feira (3.jun) que o populismo e a xenofobia estão entre as principais ameaças à inovação tecnológica. Também destacou a importância da imigração para o avanço da ciência e da tecnologia.
Iván Duque disse que a América Latina precisa atrair mais investimentos privados para crescer e “criar mecanismos” para sobreviver a uma nova realidade: o fim do multilateralismo. O político, de direita, elogiou as medidas econômicas de Javier Milei (La Libertad Avanza, direita) na Argentina e a ação dos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro.
Leia mais sobre o 1º dia do 14º Fórum de Lisboa:
“Teremos uso e abuso de IA” nas eleições, diz Gilmar
Leia a íntegra do discurso de Gilmar na abertura do Fórum de Lisboa
Moraes diz haver “abuso criminoso de pseudo liberdade de expressão”
Moraes defende regulação internacional das big techs
Motta critica afastamento entre posições políticas no país
Alexandre Silveira defende data centers como pauta de soberania
“Não é fácil romper a polarização”, diz Temer sobre eleições
EUA e Itália demonstram avanço de autocracias, diz sócia de Barroso
Não adianta criticar fake news de rival e fazer igual, afirma Barroso
Decisão dos EUA sobre PCC e CV é atentado, afirma Lewandowski
Kassab sobre emendas parlamentares: “Do jeito que está, não dá”
“Candidato tem que se explicar”, diz Kassab sobre Flávio e Master
Gilmar quer regular IA e Moraes pede regra mundial para redes sociais
Não se salva o mundo com decisões judiciais, diz Barroso
Mercado terá de se adequar, diz Lewandowski sobre caso PCC-CV
Saúde é a área ideal para inovar com IA, diz Ludhmila Hajjar
Leia mais sobre o 2º dia do 14º Fórum de Lisboa:
Leia mais sobre o 3º dia do 14º Fórum de Lisboa: