Brasileiro afirmou que a reunião com o líder norte-americano representa um “passo importante” para consolidar a relação bilateral entre os 2 países
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 5ª feira (7.mai.2026) que o encontro realizado com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), em Washington, representa um “passo importante” para fortalecer a relação histórica entre os 2 países.
Em discurso depois da reunião, Lula defendeu o multilateralismo, criticou políticas tarifárias adotadas pelos norte-americanos e propôs cooperação internacional no combate ao crime organizado.
Segundo Lula, Brasil e Estados Unidos “são as duas maiores democracias do hemisfério ocidental” e podem servir de exemplo para o mundo. O petista também destacou que os norte-americanos foram os principais parceiros comerciais do Brasil ao longo do século 20, mas perderam espaço para a China a partir de 2008.
“O Brasil passou a ter na China o seu principal parceiro comercial”, declarou. Lula disse ter afirmado a Trump que os Estados Unidos precisam voltar a demonstrar interesse em investimentos no Brasil, especialmente em projetos de infraestrutura, como rodovias e ferrovias.
Assista a transmissão (59min):
INFLUÊNCIA DA AMÉRICA LATINA
O presidente brasileiro afirmou que a América Latina voltou a ganhar relevância geopolítica em meio a um cenário internacional “conturbado”. Citou, como exemplo, o avanço de acordos comerciais do Mercosul com a União Europeia, EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio), Singapura, Canadá e Japão.
Ao comentar a política tarifária adotada por Trump, Lula disse que os acordos comerciais representam uma “defesa do multilateralismo contra o unilateralismo colocado em prática pelas taxações do presidente Trump”.
CRIME ORGANIZADO E TRÁFICO
Durante o discurso, Lula também afirmou que os 2 governos concordaram em discutir temas considerados “tabus”, como o combate ao crime organizado e ao tráfico internacional de drogas e armas.
O presidente criticou estratégias baseadas em intervenção militar em países latino-americanos e defendeu políticas de desenvolvimento econômico para reduzir a dependência da produção de drogas ilícitas.
“Não é hegemonia de um país ou de outro querer combater o crime organizado. É uma coisa que tem que ser compartilhada com todos”, afirmou.
Lula também declarou que parte das armas apreendidas no Brasil tem origem nos Estados Unidos e citou operações de lavagem de dinheiro realizadas em território norte-americano. Segundo ele, a proposta é criar um grupo internacional de trabalho envolvendo países da América Latina e outras nações.
TERRAS RARAS E COMÉRCIO INTERNACIONAL
Outro tema tratado na reunião foi a exploração de minerais críticos e terras raras. Lula afirmou que o governo brasileiro aprovou na Câmara dos Deputados um projeto relacionado ao setor e classificou o tema como questão de “soberania nacional”.
Segundo o presidente, o Brasil pretende ampliar o mapeamento mineral do território nacional e atrair investimentos estrangeiros, sem preferência entre países.
“Nós não temos preferência. O que nós queremos é fazer parceria”, declarou, ao citar empresas americanas, chinesas, alemãs, japonesas e francesas.
Na área comercial, Lula afirmou que os Estados Unidos acumulam superávit nas relações comerciais com o Brasil nos últimos 15 anos. Segundo ele, o governo norte-americano reclama de tarifas brasileiras, embora a média de taxação aplicada pelo Brasil aos produtos dos EUA seja de 2,7%.
Lula disse ter proposto a criação de um grupo de trabalho bilateral para que representantes da indústria e do comércio dos 2 países apresentem, em até 30 dias, uma proposta de entendimento sobre tarifas e comércio exterior.
Ao final do discurso, Lula afirmou que o Brasil está preparado para dialogar “com qualquer país do mundo” sobre qualquer tema e disse que o governo não abre mão “da democracia e da soberania”.
“VAMOS GANHAR A COPA”, DIZ LULA
O presidente também fez referência à Copa do Mundo de futebol ao relatar uma brincadeira feita com Trump. Segundo Lula, ele pediu ao norte-americano que não cancelasse vistos de jogadores da seleção brasileira durante o torneio.
“Por favor, não faça isso, porque nós vamos vir aqui para ganhar a Copa do Mundo”, disse o presidente brasileiro, afirmando que Trump respondeu com risos.
Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-governo/lula-defende-aproximacao-com-eua-apos-encontro-com-trump/