Petista afirmou haver diferenças sobre Irã e Venezuela depois de encontro de 3 horas na Casa Branca
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 5ª feira (7.mai.2026) que não espera mudanças na forma como Donald Trump (Partido Republicano) atua em conflitos internacionais depois da reunião de cerca de 3 horas entre os 2 na Casa Branca.
Durante entrevista a jornalistas depois do encontro, o presidente brasileiro disse haver diferenças claras de visão entre ele e Trump sobre política internacional.
“Trump não vai mudar o jeito dele de ser por causa de uma reunião de 3 horas comigo. Eu acredito muito mais no diálogo do que na guerra”, afirmou Lula.
Segundo Lula, Trump considera que as questões do Irã e da Venezuela estão resolvidas. Esta avaliação representa uma das diferenças de visão entre os 2 presidentes sobre política internacional.
“Eu acho que a invasão do Irã vai causar mais prejuízo do que ele [Trump] está imaginando. Mas tem várias suposições. Ele acha que a guerra acabou. Não é real. Mas ele acha. Eu não vou ficar brigando com ele por causa da visão que ele tem da guerra”, disse Lula.
O líder brasileiro também destacou sua preferência pelo diálogo como alternativa aos conflitos armados.
“Conversar é muito mais barato, mais eficaz. Não tem vítima, não tem destruição de casa, não tem morte de criança”, declarou Lula.
Assista à entrevista de Lula a jornalistas nos EUA (1h1min30s):
ENCONTRO LULA-TRUMP
A reunião em Washington foi o 3º encontro presencial entre os líderes. É a 2ª vez que Lula vai aos EUA neste mandato. A 1ª foi durante a gestão de Joe Biden (Partido Democrata).
Os principais temas discutidos foram o combate ao crime organizado, a investigação comercial aberta pelos EUA contra o Brasil e as negociações sobre a exploração de minerais críticos por empresas norte-americanas.
A bilateral foi realizada durante a guerra no Irã, em um momento de isolamento geopolítico de Trump. O encontro havia sido anunciado para março, mas foi adiado por causa do conflito.
Desde o início do 2º mandato de Trump, em janeiro de 2025, os presidentes mantiveram uma relação distante. A tensão aumentou depois do anúncio do tarifaço –que chegou a impor taxas de até 50% sobre produtos brasileiros e ampliou o atrito comercial entre os 2 países.
Em 23 de setembro de 2025, os presidentes se encontraram pela 1ª vez na 80ª Assembleia Geral da ONU. Trump disse que houve uma “química excelente” durante a conversa, que durou menos de 1 minuto.
Em outubro, os presidentes voltaram a se reunir na Malásia. O encontro foi descrito como amistoso, mas não levou à revogação das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil.
COMITIVA
Lula foi acompanhado por 5 ministros, além do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues:
Mauro Vieira (Relações Exteriores);
Wellington César Lima e Silva (Justiça e Segurança Pública);
Dario Durigan (Fazenda);
Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços);
Alexandre Silveira (Minas e Energia).
No lado norte-americano, a comitiva incluiu o vice-presidente JD Vance (Partido Republicano) e secretários. Nos EUA, os departamentos estão para o governo da mesma maneira que os ministérios estão para o Planalto.
Eis os integrantes da comitiva de Trump:
Susie Wiles, chefe de Gabinete da Casa Branca;
Scott Bessent, secretário do Tesouro;
Howard Lutnick, secretário do Comércio;
Jamieson Greer, representante do Comércio.