Lessa e Queiroz são condenados por assassinato de Marielle Franco

Autor dos disparos, Ronnie Lessa pegou 78 anos de cadeia, e Élcio Queiroz, que dirigia o carro usado no crime, 59 anos

Os ex-policiais Ronnie Lessa e Élcio Queiroz foram condenados nesta 5ª feira (31.out.2024) pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. O crime se deu em março de 2018, no Rio de Janeiro, há 6 anos.

A sentença foi decidida por júri popular no 4º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Ronnie Lessa foi condenado a 78 anos e de prisão e Élcio de Queiroz, a 59 anos. Ambos continuam em prisão preventiva.

O julgamento foi iniciado na 4ª feira (30.out), durando 13 horas no primeiro dia. Foram ouvidos os depoimentos dos réus, os advogados de defesa e os promotores de acusação. A mãe de Marielle Franco também esteve no plenário e depôs logo após a ex-assessora Fernanda Chaves, única sobrevivente do ataque.

CONDENAÇÃO

A juíza do 4º Tribunal do Júri da Justiça do RJ, Lucia Glioche, mencionou na leitura da sentença o tempo de espera até que o julgamento acontecesse.

“A justiça por vezes é lenta, cega, burra, injusta e torta. Mas ela chega. Mesmo para aqueles, como os acusados, que acham que jamais vão ser atingidos pela justiça. Mas ela chega aos culpados e tira deles o bem mais importante após a vida: a liberdade”, afirmou Glioche.

Eis as sentenças:

Reclusão de 78 anos, 9 meses e 30 dias para Lessa;
Reclusão de 59 anos, 8 meses e 10 dias para Queiroz;
Pagamento de pensão a Arthur (filho de Anderson Gomes) até os seus 45 anos para ambos;
Pagamento de indenização aos parentes de Marielle Franco (mãe, pai, irmã e filha) para ambos;
Indenizações somam R$706 mil.

No entanto, as penas dos condenados devem diminuir, devido aos acordos de delação premiada realizados por ambos. No pacto foi definido que Lessa ficará preso em regime fechado, no máximo, por 12 anos; e Queiroz, por no máximo 18 anos de regime fechado e 2 anos de semiaberto.

Os prazos começam a contar na data em que foram para a prisão preventiva, em 2019.

TRIBUNAL DO JÚRI

Lessa e Queiroz fizeram delações premiadas à PF (Polícia Federal), confessando a execução do crime, e são réus no caso. Lessa confessou ter sido o autor dos tiros que mataram Marielle, enquanto Élcio estaria dirigindo o carro usado no ataque. Ambos estão presos desde 2019.

Além de confessar o crime, Lessa indicou que os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão seriam os mandantes do assassinato. O motivo teria sido conflitos fundiários.

Os dois se tornaram réus no STF em junho deste ano, quando, por unanimidade, a 1ª Turma do Supremo aceitou uma denúncia da PGR (Procuradoria Geral da República).

Além deles, o Supremo também aceitou denúncia na mesma ação contra o delegado da Polícia Civil Rivaldo Barbosa, o ex-assessor de Domingos, Robson Calixto da Fonseca, e Ronald Alves, conhecido como major Ronald.

Em depoimento ao STF sobre o caso, apesar da declaração de Lessa, os irmãos Brazão disseram que não conheciam o ex-PM. Segundo o deputado, ele nunca teve contato com Lessa e afirmou que, embora o ex-PM pudesse conhecê-lo, ele não tinha “lembrança de ter estado com essa pessoa”.

CRIME

O crime aconteceu na noite do dia 14, quando Marielle, Anderson e Fernanda voltavam de uma agenda no Centro do Rio. No caminho, o carro em que estavam as vítimas foi emparelhado pelo veículo em que estavam Lessa e Queiroz.

A vereadora e o motorista foram atingidos por diversos tiros de submetralhadora e morreram no local. Seis anos após o crime, o nome de Marielle Franco ainda é lembrado por militantes e ativistas, que buscam respostas sobre os mandantes do crime e a aplicação da pena aos executores.

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Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-justica/lessa-e-queiroz-sao-condenados-por-assassinato-de-marielle-franco/

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