Nos 3 primeiros anos, gestão petista diminuiu recursos das 3 Forças Armadas; orçamento da Defesa encolheu 11%
Os gastos com as Forças Armadas nos 3 primeiros anos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tiveram queda em comparação ao mesmo período do governo de Jair Bolsonaro (PL).
A Marinha lidera, com redução de 15,5%. De 2023 a 2025, foram empenhados R$ 109 bilhões para a Força, contra R$ 129 bilhões nos 3 primeiros anos de Bolsonaro (de 2019 a 2021).
Em seguida, aparecem o Exército, com queda de 9,6%, e a Aeronáutica, com 7,7%.
Os dados foram corrigidos pela inflação mais recente, de março de 2026.
Os gastos totais com a Defesa tiveram queda de 10,8% na comparação dos 3 primeiros anos de Lula com o mesmo período de Bolsonaro. De 2023 a 2025, foram empenhados R$ 404,3 bilhões; de 2019 a 2021, foram R$ 453,8 bilhões.
Além disso, os gastos totais do governo cresceram nos 2 períodos analisados. Com isso, a participação da Defesa no orçamento federal diminuiu. Entre 2019 e 2021, na gestão Bolsonaro, as despesas totais somaram R$ 14 trilhões. Já de 2023 a 2025, nos primeiros anos do governo Lula, chegaram a R$ 15,2 trilhões –alta de 8,6%.
NOVAS PERSPECTIVAS
Apesar da redução nos gastos com a Marinha, ela é a Força que tem recebido mais atenção do governo.
Em 24 de abril, recebeu a 1ª fragata construída no Brasil desde 1980 –a F200 Tamandaré. Dias antes, em 21 de abril, o presidente Lula anunciou na Alemanha a encomenda de 4 fragatas da mesma classe de uma empresa alemã. Outras 4 já estavam encomendadas e serão entregues em 2028.
A guerra no Irã e o impacto do fechamento de Ormuz indicaram a necessidade de proteger as rotas marítimas. O agronegócio brasileiro, por exemplo, depende de portos para escoar a produção.
“Esse cenário internacional reforça a necessidade de que países com grande dependência do comércio marítimo, como o Brasil, disponham de capacidades navais adequadas”, disse o subchefe de estratégia do Estado-Maior da Armada, almirante Sandro Baptista Monteiro.
A F200 é considerada uma fragata avançada do ponto de vista tecnológico se comparada com a Niterói, que ela vai substituir. Tem sistemas modernos de gestão de combate, troca de dados, além de ter capacidade para lançar mísseis e levar um helicóptero em seu convés de voo. É considerada mais leve, só que menos poderosa que os destróieres.
O QUE DIZ O MINISTÉRIO
Em nota enviada ao Poder360, o Ministério da Defesa disse que o orçamento “é composto por 2 grandes grupos de despesas, as obrigatórias e as discricionárias”.
Afirmou que, por meio da lei complementar 221 de 2025, haverá um aumento de 24% no gasto discricionário do ministério, considerado “o mais relevante para avaliar o compromisso efetivo do governo com a Defesa”.
E concluiu que “continua buscando a aprovação de um marco legal que garanta a necessária previsibilidade orçamentária para o setor”.
Leia a íntegra da nota:
“O orçamento do Ministério da Defesa, como o de qualquer ministério, é composto por dois grandes grupos de despesas: as obrigatórias e as discricionárias.
“As despesas obrigatórias decorrem de imposição normativa —ou seja, o gestor público não tem margem para deixar de executá-las. Em geral, fazem parte desse grupo as despesas com pagamento de pessoal, as previdenciárias, algumas políticas sociais, dentre outras.
“Já as despesas discricionárias são as que mais diretamente refletem as escolhas e prioridades do governo. No caso do Ministério da Defesa, são elas que financiam as operações reais e de treinamento das Forças Armadas, o funcionamento das organizações militares distribuídas por todo o território nacional, a aquisição de combustíveis, munição e equipamentos, bem como os projetos estratégicos de defesa no âmbito do Programa Novo PAC.
“Foi precisamente para esse conjunto de despesas –o mais relevante para avaliar o compromisso efetivo do governo com a Defesa– que, em novembro de 2025, foi aprovada a lei complementar nº 221, a qual viabiliza a ampliação de recursos para a defesa nacional em R$ 30 bi ao longo de 6 anos.
“Com base nessa norma, o orçamento discricionário do Ministério da Defesa foi ampliado, no exercício anterior (2025), em R$ 2,5 bilhões, estando prevista para 2026 novo aumento em igual montante. Em decorrência desse movimento, entre 2023 e 2026, as despesas discricionárias do Ministério terão registrado incremento aproximado de 24%, em valores correntes, passando de R$ 12,3 bilhões para R$ 15,3 bilhões.
“Não obstante, o Ministério continua buscando a aprovação de um marco legal que garanta a necessária previsibilidade orçamentária para o setor.”
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Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-governo/governo-lula-reduz-em-155-os-gastos-com-a-marinha/