Com cerca de ¼ dos eleitores do país, Minas, Bahia e Rio seguem como pontos de incerteza para o projeto eleitoral do PL
O senador Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta resistências e indefinições para consolidar sua base política em 3 dos maiores colégios eleitorais do país: Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro.
Juntos, esses Estados concentram 40,7 milhões de eleitores, o equivalente a cerca de um ¼ do eleitorado nacional, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de 2024. A direção do PL acompanha com atenção esse cenário, já que depende dessas alianças para fortalecer a presença regional e dar sustentação ao projeto político da sigla.
MG: Republicanos trava Cleitinho
No 2º maior colégio eleitoral do país, o desenho de uma chapa competitiva segue indefinido. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) avalia formalizar uma aliança com o PL para disputar o governo de Minas Gerais, mas ainda não tomou uma decisão.
O impasse se dá porque uma ala do Republicanos defende uma chapa puro-sangue no Estado, movimento que desagrada ao PL. Apesar das divergências, a composição tem o aval do senador Flávio Bolsonaro. As articulações também afastaram o grupo do ex-governador Romeu Zema (Novo), que trabalha para viabilizar a candidatura de seu ex-vice, Mateus Simões (PSD).
Minas Gerais é considerado um dos principais termômetros das eleições presidenciais. Historicamente, o vencedor no Estado costuma repetir o resultado na disputa nacional. Líder nas pesquisas de intenção de voto, Cleitinho é visto por aliados de Jair Bolsonaro como o nome mais competitivo para representar o campo bolsonarista no Estado.
BA: à espera da decisão de ACM Neto
Na Bahia, principal reduto eleitoral do Nordeste e do PT, o PL vive dias de expectativa. A legenda aguarda uma definição do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), que lidera as pesquisas para o governo estadual.
Aliados da família Bolsonaro esperam o apoio formal de ACM Neto para estruturar uma frente de oposição no Estado. O ex-prefeito baiano tem sinalizado que apoiará Ronaldo Caiado (PSD) na corrida pelo Planalto, e o cenário só deve mudar em um eventual 2º turno entre Flávio e Lula. Em viagens recentes do pré-candidato à Presidência ao Estado, ACM Neto não posou ao lado do senador.
Na disputa pelo governo estadual, Jerônimo Rodrigues (PT) concorre à reeleição. É o candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
RJ: Paes na liderança
Mesmo no berço político da família Bolsonaro, a situação é de instabilidade. A cassação do ex-governador Cláudio Castro (PL) pelo TSE e a prisão de Rodrigo Bacellar desestruturaram a base bolsonarista. O deputado estadual Douglas Ruas (PL) foi eleito presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, mas uma liminar do STF barrou sua posse como governador interino.
O desembargador Ricardo Couto de Castro ocupa o cargo até as eleições. Nesse meio tempo, Castro também desistiu de concorrer ao Senado depois que ligações entre ele e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, vieram a público.
O quadro se torna ainda mais desafiador para o bolsonarismo porque o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD) lidera as principais pesquisas de intenção de voto. Paes é o principal aliado de Lula em solo fluminense e trabalha para construir uma supercoligação com o PT.