Flávio celebra classificação de PCC e CV como “terrorismo”: “Grande dia”

A medida é anunciada 1 dia depois do encontro do senador com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio

O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) comemorou nesta 5ª feira (29.mai.2026) que os Estados Unidos vão classificar PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como terroristas. A medida é anunciada 1 dia depois do encontro do senador com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

Em post no X, escreveu “grande dia” em resposta à postagem de anúncio de Rubio.

BRASIL

Desde quando foi anunciada a possibilidade da decisão, o Planalto diz que a medida amplia uma divergência jurídica já existente com Washington. E, assim, pode gerar efeitos colaterais sobre instituições financeiras brasileiras.

A legislação norte-americana sobre financiamento ao terrorismo permite sanções a bancos e empresas que operem com organizações enquadradas nessa categoria, mesmo sem conhecimento direto da ligação com os grupos.

No governo Lula, a avaliação é de que o PCC e o Comando Vermelho não se enquadram na definição de terrorismo prevista na legislação brasileira, por atuarem com motivação econômica e por controle territorial, e não ideológica.

No Planalto, o principal temor é de que a classificação adotada pelos Estados Unidos possa expor instituições financeiras brasileiras a penalidades automáticas e ampliar o risco de interpretações jurídicas mais abrangentes no sistema financeiro internacional, além de abrir margem para medidas de alcance transnacional com base em normas norte-americanas.

A parceria bilateral para o combate ao crime organizado foi tema das conversas entre Lula e Donald Trump, em dezembro e janeiro. Na ocasião, o presidente brasileiro propôs ampliar a cooperação em áreas como lavagem de dinheiro por meio de criptomoedas e tráfico internacional de armas.

Em resposta, os Estados Unidos apresentaram uma contraproposta que inclui pontos considerados sensíveis pelo governo brasileiro.

Entre eles estão a possibilidade de deportação de cidadãos brasileiros a partir dos Estados Unidos, a classificação de facções criminosas como organizações terroristas e o compartilhamento de dados biométricos de solicitantes de asilo.

No caso dos dados, o governo brasileiro não rejeita a cooperação, mas afirma que qualquer compartilhamento precisa respeitar a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).

Outro ponto de resistência é justamente a equiparação das facções ao terrorismo. Auxiliares de Lula afirmam que a medida poderia abrir precedente para pressões externas e interpretações jurídicas que extrapolem o enquadramento previsto na legislação brasileira, além de gerar potenciais efeitos sobre a soberania regulatória no enfrentamento ao crime organizado.

Apesar dos impasses, há áreas em que os 2 governos avançam na negociação, como troca de inteligência policial, combate à lavagem de dinheiro via criptoativos e repressão ao tráfico internacional de armas.

Em reuniões recentes com autoridades norte-americanas, o governo brasileiro já havia sinalizado resistência ao enquadramento das facções como terroristas, sob o argumento de que isso distorce o conceito jurídico adotado no país.

O tema não foi tratado na reunião entre Lula e Trump em 7 de maio. Segundo o próprio presidente, o assunto não entrou na conversa sobre segurança e combate ao crime.

Na ocasião, Lula afirmou: “Não discutimos facção criminosa e terrorismo com o presidente Trump partindo dele falar de alguma facção no Brasil”.

O presidente, no entanto, apresentou a proposta de criação de um grupo de trabalho multilateral para o combate ao crime organizado na América do Sul e na América Latina.

OPOSIÇÃO

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, se reuniu na 3ª feira (26.mai.2026) com o presidente dos Estados Unidos. Segundo ele, o tema central da conversa foi justamente a articulação para que os Estados Unidos classifiquem formalmente as facções brasileiras como organizações terroristas.

“Eu fui exatamente fazer esse pedido expresso a ele para que ele declare PCC e CV como organizações terroristas, que são o que elas são”, disse Flávio a jornalistas após a reunião.

O encontro, do qual só há fotos posadas em registros de imagens, estava fora da agenda de compromissos de Trump divulgada pela Casa Branca. O congressista estava acompanhado do irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do jornalista Paulo Figueiredo. Não foi informado quem marcou a reunião.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-congresso/flavio-celebra-classificacao-de-pcc-e-cv-como-terrorismo-grande-dia/

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