Trajetória de queda começou em março e seguiu após a publicação de norma que proíbe a abertura de pedidos duplicados
Depois que o ex-presidente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), Gilberto Waller, foi demitido no dia 13 de abril de 2026, a fila do INSS seguiu caindo, chegando a 2,6 milhões de requerimentos pendentes em abril. Em comparação a março, quando a fila marcava 2,79 milhões de pendências, houve um recuo de 6,8%.
Waller comandou o órgão durante sucessivos recordes na fila de requerimentos. Embora o maior patamar tenha sido registrado em fevereiro (3,13 milhões de pedidos pendentes), os meses seguintes apresentaram quedas sucessivas.
Com a demissão de Waller, que estava pressionado há meses para apresentar uma solução rápida para a fila, a funcionária de carreira Ana Cristina Viana Silveira assumiu a presidência do INSS.
Além da trajetória de queda, que começou em março, a diminuição na fila pode estar também ligada à Instrução Normativa PRES/INSS nº 203, de 22 de abril de 2026. A norma passou a proibir a abertura de um novo pedido de benefício –como aposentadoria, pensão ou BPC– caso o cidadão já tenha um processo idêntico em andamento, incluindo o período em que ainda cabe recurso.
Além disso, passou-se a exigir um intervalo mínimo de 30 dias para refazer o requerimento em caso de negação. Leia a íntegra da Instrução Normativa (PDF – 134 KB).
ALTA DE 1,5 milhão
Mesmo com essa manobra para conter a entrada de requerimentos, o patamar da fila segue muito elevado e contrasta com as promessas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de seus ministros de zerar as pendências.
Desde que Lula assumiu o governo, de janeiro de 2023 até maio de 2026, considerando os dados fechados de abril, o INSS acumula 1,51 milhão de pedidos a mais, uma alta de 138,5% na comparação com dezembro de 2022. O recorde da fila no governo anterior, de Jair Bolsonaro (PL), foi de 2,03 milhões de pessoas, em janeiro de 2020.
A fila de benefícios previdenciários nas alturas é ruim para o governo porque desgasta a imagem da administração pública, que fica como algoz de pessoas necessitadas. Por outro lado, ajuda a conter (mesmo que de forma momentânea) o avanço das despesas com essa área, que é a mais deficitária da União.
AS PROMESSAS DE LULA
Eis algumas promessas e declarações feitas pelo presidente e por Carlos Lupi (PDT), ex-ministro da Previdência (que pediu demissão em maio de 2025 depois de investigações sobre um esquema de fraudes em aposentadorias):
16.set.2022 (Lula, enquanto candidato) – “É possível fazer [zerar a fila]. Se nós voltarmos, vamos fazer isso porque o mundo digitalizado está muito mais moderno e as pessoas que fizeram a 1ª vez estão todas vivas e muito dispostas a trabalhar”;
1º.dez.2022 (Lula, antes de tomar posse) – “Teremos muito trabalho pela frente [para reduzir a fila do INSS] e temos um compromisso com o povo brasileiro”;
1º.jan.2023 (Lula, em discurso no Congresso) – “Estejam certos de que vamos acabar, mais uma vez, com a vergonhosa fila do INSS, outra injustiça restabelecida nestes tempos de destruição”;
24.abr.2023 (Carlos Lupi) – “Não é uma questão simples de resolver. Existem vários tipos de problemas diferentes. […] Tem vários tipos de atendimento. Dessa fila de 1,8 milhão de benefícios, 1 milhão aguardam perícia. Temos 3.500 médicos que estão trabalhando”;
11.jul.2023 (Lula, há 6 meses no Planalto) – “Não há explicação [para o tamanho da fila], a não ser não ter dinheiro para pagar. Se for isso, tem que ser muito verdadeiro com o povo e dizer o porquê dessa fila. Se é falta de funcionário, a gente tem que contratar. Se é falta de competência, a gente tem que trocar quem não tem competência”;
18.out.2023 (Carlos Lupi) – “Ano que vem, espero viver um outro patamar para melhorar ainda mais esse serviço [de concessão de benefícios do INSS]”;
3.jan.2024 (Carlos Lupi) – “O meu desafio é que ao mesmo tempo em que você tem que reduzir a fila, que chegou a mais de 1,8 milhão, você tem também o fluxo diário e mensal de pedidos iniciais. A fila nunca vai zerar, mas o prazo médio de concessão vai ficar nos 45 dias em dezembro, com certeza”
Em julho de 2024, os funcionários do INSS entraram em greve. Reivindicavam aumento salarial e melhores condições de trabalho. Ficaram com as atividades parcialmente paralisadas até novembro do mesmo ano, quando fizeram acordo com o Ministério da Gestão e Inovação.
Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-governo/fila-do-inss-diminui-68-e-vai-a-26-milhoes-em-abril/