A discussão sobre o fim da escala 6 X 1 opôs trabalhadores e pequenos empresários ouvidos pelo Poder360 nas ruas de São Paulo. Enquanto empregados relataram desgaste com a rotina de 6 dias de trabalho por 1 de folga, donos de pequenos negócios afirmaram temer aumento de custos e possíveis cortes de vagas.
A escala 6 X 1 é comum em setores como comércio, supermercados, hotelaria e serviços. Movimentos trabalhistas e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva defendem a adoção de jornadas com mais dias de descanso.
Trabalhadores citam cansaço e falta de tempo
O cansaço é a maior crítica dos trabalhadores ouvidos pela reportagem. Wellington, 25 anos, gerente de supermercado, afirmou que a escala 6 X 1 é pesada e reduz o tempo de recuperação física.“Trabalhar 6 dias e folgar 1 é muito exaustivo”, afirmou.
Já Guilherme, 25 anos, vendedor de uma loja de eletrônicos que também trabalha na escala 6 X 1, afirmou que usa o o pouco tempo livre de que dispões para se aprimorar e buscar alternativas profissionais. “No sábado, quando chego em casa, uso o tempo para estudo ou penso em planos futuros.”
Victor Boscato/Poder360 – 2.mar.2026
Rua 25 de Março, São Paulo, conhecida por seus diversos tipos de comércios
Para o vendedor, a escala 5 X 2 é mais confortável para trabalhadores e famílias. “É uma escala de conforto humano”.
Empresários citam custos e risco de cortes
Já pequenos empresários disseram estar temerosos com eventuais aumentos nos custos. Maurício, 62 anos, dono de uma papelaria familiar, afirmou ser contra o fim da escala 6 X 1. Segundo ele, empresas podem repassar a alta nas despesas ao consumidor. “Se aumenta o custo, alguém vai pagar no preço do produto.”
Luís, 47 anos, dono de uma empresa de remessas internacionais, também se posicionou contra a alteração. “Para cobrir quem vai trabalhar menos, o empresário vai ter que colocar outra pessoa”.
Na avaliação dele, algumas empresas poderiam reagir com redução de vagas. “Quem pode acabar se dando mal é o funcionário, porque pode haver corte.”
Victor Boscato/Poder360 – 2.mar.2026
Comércio ambulante na Rua 25 de Março