Narco Vela, Narco Bet e Narcofluxo integram investigação sobre esquema que envolve rede internacional de drogas, bets ilegais, ativos digitais e uso de pessoas públicas
Em menos de 1 ano, a Polícia Federal avançou, camada por camada, sobre uma engrenagem criminosa que combinava tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e circulação de valores por empresas, criptoativos e pessoas de visibilidade pública. O caminho percorrido conecta as operações Narco Vela, Narco Bet e Narcofluxo, deflagradas entre abril de 2025 e abril de 2026.
A Narco Vela, deflagrada em abril de 2025, teve como foco a repressão ao tráfico internacional de drogas por via marítima. Segundo a PF, a organização usava equipamentos via satélite, barcos e veleiros para enviar cocaína do litoral brasileiro para a Europa e a África. A investigação começou depois de uma comunicação do DEA (Drug Enforcement Administration), agência antidrogas dos Estados Unidos, sobre a apreensão de 3 toneladas de cocaína dentro de um veleiro brasileiro em alto-mar próximo ao continente africano. A interceptação foi realizada em setembro de 2023. Na operação, a Justiça determinou o bloqueio e a apreensão de bens de até R$ 1,32 bilhão.
Meses depois, em outubro de 2025, a PF deflagrou a Narco Bet, já com foco na etapa financeira do esquema. A corporação disse que a operação era um desdobramento da Narco Vela e mirava uma estrutura de lavagem de dinheiro vinculada ao tráfico internacional de drogas. De acordo com a investigação, o grupo usava movimentações em criptomoedas e remessas internacionais para ocultar a origem dos recursos e fazer a dissimulação patrimonial. As medidas judiciais incluíram o bloqueio de mais de R$ 630 milhões em bens e valores.
A etapa mais recente veio em 15 de abril de 2026, com a Narcofluxo. O objetivo dela, segundo a PF, foi desarticular uma associação criminosa voltada à movimentação ilícita de valores mediante criptoativos, no Brasil e no exterior. O grupo teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão. Os mandados foram expedidos pela 5ª Vara Federal de Santos e cumpridos em 8 Estados e no Distrito Federal.
Segundo afirmou o delegado regional de Polícia Judiciária Marcelo Maceiras, a Narcofluxo é desdobramento da Narco Bet e descreveu o alvo da nova fase como uma estrutura montada para “tornar legítimo” dinheiro de diferentes crimes, “desde tráfico de drogas a operação de apostas e rifas online ilegais”. Maceiras disse que o grupo reunia pessoas de visibilidade para promover empresas de apostas e rifas e movimentar dinheiro sem chamar a atenção das autoridades.
Foi nessa fase que a operação ganhou maior repercussão pública por causa da prisão dos cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além de Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, e Chrys Dias, produtor de MC Ryan. Os valores apreendidos chegavam a R$ 20 milhões só em veículos.
Segundo afirmou o delegado regional de Polícia Judiciária Marcelo Maceiras, a Narcofluxo é desdobramento da Narco Bet e descreveu o alvo da nova fase como uma estrutura montada para “tornar legítimo” dinheiro de diferentes crimes, “desde tráfico de drogas a operação de apostas e rifas online ilegais”. Maceiras disse que o grupo reunia pessoas de visibilidade para promover empresas de apostas e rifas e movimentar dinheiro sem chamar a atenção das autoridades.
INVESTIGAÇÃO EM 3 ETAPAS
A sequência das operações sugere um avanço por camadas. A Narco Vela mirou a logística do tráfico marítimo e a exportação da droga. A Narco Bet investigou a ocultação do dinheiro, com uso de criptoativos e remessas internacionais. Já a Narcofluxo avançou sobre a etapa final da lavagem, com foco na circulação do dinheiro, no uso de processadoras legais, de dinheiro em espécie e de terceiros para descentralizar os recursos e dificultar o rastreamento.
O delegado Marcelo Maceiras disse que o grupo usava pessoas públicas para dar aparência de legalidade à circulação financeira. Segundo ele, o dinheiro ilegal era inserido no sistema formal por meio de pagamentos a pessoas conhecidas e depois reaparecia como receita regular de atividade econômica, acompanhado de postagens de ostentação de festas, carros e imóveis de luxo.
O QUE DIZEM AS DEFESAS
As defesas dos investigados contestam as acusações. Os advogados de MC Ryan SP afirmam que as movimentações financeiras do artista são lícitas e declaradas. A defesa de MC Poze do Rodo disse que ainda não teve acesso aos autos e que pretende pedir a liberdade do cantor. Já o advogado de Raphael Sousa Oliveira sustenta que a atuação do influenciador se limitou à prestação de serviços publicitários, sem participação em organização criminosa.