Xi Jinping posiciona a China como líder global em IA

O discurso do presidente chinês na Conferência Mundial de IA sinaliza um contraste com a abordagem norte-americana

O presidente da China, Xi Jinping (Partido Comunista da China, esquerda), discursou em 17 de julho na abertura da Conferência Mundial de IA de 2026, realizada em Xangai, na China. Leia a íntegra do discurso (PDF – 78 KB).

Na ocasião, o líder chinês destacou o compromisso do país com a abertura e o compartilhamento dos benefícios da IA ​​com o resto do mundo. O discurso indicou um forte contraste nas abordagens chinesa e norte-americana para a governança de IA.

Enquanto os EUA caminham para controlar a fabricação de semicondutores e tentam desacelerar o progresso chinês em modelos de linguagem, a China usa o código aberto como uma moeda de troca diplomática.

Xi também afirmou em seu discurso a importância de assegurar que países em desenvolvimento tenham acesso ao desenvolvimento das tecnologias. O líder chinês disse que o posicionamento tem o objetivo de evitar a criação de “novas injustiças históricas”. A China tem planos de cooperar com países da África, América Latina e Ásia.

Assista ao discurso de Xi Jinping na Waic 2026 (3min12s):

PAX SILICA X WAICO

O discurso de Xi Jinping foi um movimento estratégico do governo chinês para se posicionar como um dos líderes globais na governança de IA.

A abordagem que pede a abertura e cooperação mundial no desenvolvimento da inteligência artificial é um contraste direto com o modelo norte-americano, que prioriza o desenvolvimento fechado da tecnologia.

Como forma de promover a integração global, o país lançou a Waico (Organização Mundial para Cooperação em Inteligência Artificial). A sede da organização será em Xangai, na China. Vinte e nove países, incluindo o Brasil, acordaram sua participação no grupo.

Com o lançamento da Waico, os EUA e a China estão agora em frentes opostas em relação à governança e cooperação global, ao mesmo tempo que ambos buscam formas de tratar seus interesses nacionais como universais.

A organização liderada pela China tem o objetivo de funcionar como um fórum de governança mundial de IA, assegurando que regras éticas e padrões técnicos da IA sejam desenvolvidos em colaboração internacional. 

A China defende o compartilhamento de modelos abertos de IA. A atuação do país visa a tornar a tecnologia acessível para países que não estão tão avançados na infraestrutura e arquiteturas para inteligência artificial.

A Pax Silica, encabeçada pelos EUA, por sua vez, caminha em outra direção.

A organização, fundada em dezembro de 2025, visa a construir uma rede de fornecedores, investidores e compradores de confiança. O grupo escolhe quais países podem ter acesso às tecnologias. 

Xi Jinping criticou, indiretamente, os EUA em seu discurso. “Devemos nos opor conjuntamente à extrapolação do conceito de segurança nacional no campo da IA ​​ou à priorização da segurança de um país em detrimento da segurança de outros”, declarou o presidente.

Pequim argumenta que os EUA estão usando a “segurança nacional” para criar barreiras comerciais unilaterais.

A Pax Silica também carrega outro objetivo: frear o desenvolvimento chinês. Apesar de os EUA e seus aliados controlarem pontos críticos na fabricação de processadores, a China tem enormes centros de dados, fundamentais para treinar e executar os modelos de IA.

CHINA E O SUL GLOBAL

O presidente chinês defendeu uma “ampla colaboração” com países do Sul Global a fim de “evitar causar uma nova injustiça histórica”. 

O líder disse que a China desenvolverá centros internacionais de cooperação em aplicações de IA com o Brics, a Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático), a Liga dos Estados Árabes, a União Africana, a Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) e a OCX (Organização de Cooperação de Xangai).

Xi afirmou que Pequim ajudará países em desenvolvimento a construir sua própria capacidade em IA. O país ofertará 5.000 vagas de treinamento em IA nos próximos 5 anos para profissionais do Sul Global. Não deu detalhes sobre como funcionará o treinamento.

O presidente chinês também anunciou a implantação de uma solução de alerta meteorológico baseada em IA em 30 países. O “Mazu” utiliza dados de satélites, redes de radar e modelos oceânicos para prever eventos climáticos extremos.

CONTROLE HUMANO DA IA

Xi defendeu a necessidade de leis e de monitoramento para evitar o uso malicioso da IA. O líder avalia que a tecnologia deve permanecer sempre sob controle humano.

O presidente pediu aos países que incentivem a inclusão. Disse que os valores da IA devem ser moldados pelos valores comuns da humanidade. “O desenvolvimento da IA ​​e sua aplicação não devem corroer ou prejudicar a diversidade das civilizações mundiais ou a singularidade das culturas de diferentes países”, disse.

O líder chinês também defendeu uma governança por meio das Nações Unidas para alinhar estratégias de desenvolvimento. Xi defende que a ONU seja o centro de coordenação das regras, padrões técnicos e diretrizes éticas.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-tech/xi-jinping-posiciona-a-china-como-lider-global-em-ia/

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