Setor de transportes consegue se adaptar a fim da 6 X 1, diz ministro

George Santoro defende período de transição e afirma que segmento tem regras específicas que podem deixar caminhoneiros de fora da reforma

O ministro dos Transportes, George Santoro, disse em entrevista ao Poder360 que o setor não terá problemas para se adaptar a mudanças causadas pelo eventual fim da escala de trabalho 6 X 1, em discussão no Congresso Nacional. A PEC que reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais passou pela Câmara e agora é analisada pelo Senado.

Segundo Santoro, o segmento de transportes tem regras e legislação específicas para algumas categorias de profissionais –caso dos caminhoneiros registrados na CLT–, o que permite que eventuais alterações na jornada possam ser negociadas separadamente. Em contrapartida, o ministro estima que outras figuras como embarcadores, operadores logísticos e profissionais de carregamento devem ser impactados pelas novas regras. 

“O setor de transporte também vai se adaptar e nós temos outras regras mais específicas. A gente tem as regras de trabalho dos caminhoneiros. É uma conciliação dessas regras que eu acredito que, depois dessa regra geral constitucional, gente vai fazer as normas mais específicas de cada segmento. A gente vai ajustar qualquer tipo de problema”, disse Santoro. 

Sérgio Lima/Poder360 – 16.jun.2026

O ministro dos Transportes deu entrevista na 3ª feira (16.jun) na sede do Poder360, em Brasília

O ministro estima que o segmento dos transportes não será impactado negativamente pela reforma, diferentemente do que vem afirmando agentes do setor, que teme aumento de custos com mão de obra. Santoro defendeu o período de transição de 14 meses proposto pelo Congresso. 

“Toda mudança que envolve custos econômicos exige uma atenção especial dos agentes de mercado. Ninguém quer ter algum custo aumentado. Acho que a preocupação é relevante, mas eu acredito que tudo isso vai ser ajustado ao longo do tempo. Acho que todo mundo vai se adaptar e a economia vai voltar a circular normalmente”, afirmou. 

Assista a entrevista de George Santoro ao Poder360 (32min21s):

As declarações de Santoro vão na contramão do que vêm sinalizando a CNT (Confederação Nacional dos Transportes) e outras confederações da indústria. A entidade se posiciona contra o fim da escala 6 X 1, estima que a reforma pode custar até R$ 28 bilhões, e defende negociação coletiva, transição gradual e respeito às particularidades operacionais dos diferentes segmentos do transporte.

A confederação afirma que a obrigação de reduzir a jornada de trabalho terá impacto direto nos rendimentos das empresas de transporte. Esses custos seriam repassados para os produtos, o que impactaria a inflação e o poder de compra da população.

Na logística, os impactos seriam atrasos em entregas, queda de eficiência e encarecimento do frete, sobretudo para produtos perecíveis e cargas vivas. Segundo a CNT, a reforma também deve impactar os custos de mão de obra e levar à necessidade de contratação de mais pessoas em um setor que já enfrenta problemas com falta de trabalhadores. 

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-governo/setor-de-transportes-consegue-se-adaptar-a-fim-da-6-x-1-diz-ministro/

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