Resultado é 8,2% maior do que o do mesmo período de 2025; minério de ferro representa quase metade do rendimento do setor
A indústria brasileira de mineração faturou R$ 150,7 bilhões no 1º semestre de 2026, alta de 8,2% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados nesta 3ª feira (28.jul.2026) pelo Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração). Leia a íntegra dos resultados (PDF – 3 MB).
O minério de ferro respondeu por 47,2% do faturamento do setor no período, com resultado de R$ 71,2 bilhões. Em seguida, estão os setores de ouro e cobre, que tiveram saltos expressivos de desempenho na comparação com o 1º semestre de 2025. A receita total da mineração de ouro subiu 44,2%, para R$ 25,3 bilhões, e a do cobre, 41%, para R$ 20,6 bilhões.
Ibram
Ferro, ouro e cobre dominaram faturamento do setor no 1º semestre
No recorte por Estado, Minas Gerais e Pará representaram, juntos, 72,8% do faturamento nacional. A indústria mineira, tradicionalmente a principal do país, faturou R$ 57,6 bilhões. A mineração paraense teve receita total de R$ 52,2 bilhões.
“Minas Gerais tem grande produção de ferro e ouro, e no Pará a gente tem o minério de ferro, o ouro e, além deles, o cobre e o níquel, que são minerais bastante também significativos, principalmente para o futuro”, afirma Julio Nery, diretor Técnico e de Sustentabilidade do Ibram, durante a apresentação do balanço.
Ibram
Bahia, Goiás e Mato Grosso registraram as altas mais expressivas na participação nacional
O presidente interino do Ibram, Pablo Cesário, afirma que a indústria mineradora do Pará tem desenvolvido projetos de alumínio, minério de ferro e ouro, mas ainda esbarra na falta de conhecimento geológico local.
“O Pará é a 2ª província mineral do país hoje, vem crescendo muito mais rápido que Minas Gerais e em algum momento vai se tornar a principal. O principal desafio do Pará é seguir o que Minas já fez, que é o conhecimento sobre a geologia. O Pará tem, obviamente, uma riqueza enorme, mas o conhecimento sobre esse potencial é pequeno”, declarou.
COMÉRCIO EXTERIOR
O Brasil exportou 196,2 toneladas de cobre no 1º semestre, alta de 2,4% na comparação anual. A receita total com exportações de minérios subiu 24% e atingiu US$ 25,1 bilhões.
O minério de ferro respondeu por 53,6% das exportações, seguido de ouro (18,3%), cobre (15,4%) e nióbio (5,6%).
Já as importações de minérios somaram US$ 4,8 bilhões. Com isso, a balança comercial da mineração terminou o semestre com saldo positivo de US$ 20,3 bilhões, o equivalente a 48% do saldo da balança comercial brasileira (US$ 42,36 bilhões).
As importações vieram majoritariamente dos EUA (18,9%), Canadá (15,2%), Rússia (12,7%) e Austrália (11,6%), enquanto a China foi o principal destino das exportações brasileiras no período, respondendo por 70% do volume de vendas para fora do país.
Segundo Pablo Cesário, a concentração da exportação para a China está relacionada à construção de uma cadeia industrial siderúrgica de alta competitividade no país, resultado de uma estratégia chinesa de investimentos em infraestrutura.
No entanto, o presidente do Ibram afirma que há um movimento de estagnação da indústria do país asiático, causada por “excesso de capacidade produtiva”, o que vem abrindo caminho para o avanço de novos mercados.
“Vejo da parte das empresas um interesse muito relevante na Índia, que tem mostrado taxas de crescimento longamente maiores do que as chinesas, e vejo também algumas iniciativas e debates interessantes sobre a criação de hubs e estruturas industriais no Atlântico Norte. O minério de ferro vai para onde houver investimento em infraestrutura e continuará seguindo isso, porque o que ele faz é produzir aço”.
Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-economia/setor-de-mineracao-fatura-r-150-bilhoes-no-1o-semestre/