Deputado petista questiona silêncio sobre conexão de ex-ministro de Bolsonaro e Daniel Vorcaro após operação da PF
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) questionou em seu perfil oficial no X nesta 6ª feira (8.mai.2026) o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) sobre a ausência de manifestação em relação a possíveis ligações do senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo da 5ª fase da operação Compliance Zero, com fraudes do Banco Master.
“Nikolas Ferreira já falou algo sobre a corrupção de Ciro Nogueira com Vorcaro? Está calado e sumido, ‘cuspindo leite condensado’, depois de voar com Valadão nas asas da corrupção do Master”, escreveu Correia.
O petista se refere ao uso, por Nikolas, de um jato da Prime You, empresa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, durante o 2º turno das eleições de 2022. Os voos foram realizados de 20 a 28 de outubro, em apoio à reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em 3 de março, Nikolas disse em vídeo publicado nas redes sociais que não contratou a aeronave utilizada durante a agenda da caravana Juventude pelo Brasil. Segundo o deputado, a logística foi organizada por terceiros, e não cabe a ele responder por eventuais desdobramentos posteriores envolvendo sócios da empresa proprietária do jato.
Esta não é a primeira vez que Correia insinua uma conexão entre Nikolas e o caso Master. Em 3 de abril de 2026, o deputado petista afirmou que o nome do parlamentar do PL “é dado como certo” na delação de Vorcaro. Nas redes sociais, declarou que, “se tudo vier à tona”, sua inelegibilidade “estará na pauta”.
OPERAÇÃO COMPLIANCE ZERO
A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na residência de Ciro Nogueira, em Brasília na 5ª feira (7.mai). A investigação aponta que Daniel Vorcaro teria custeado despesas pessoais do senador, incluindo restaurantes, viagens internacionais e pagamentos de cartão de crédito.
Segundo a investigação, diálogos interceptados indicam repasses mensais que variavam de R$ 300 mil a R$ 500 mil. A Polícia Federal também afirma que uma emenda parlamentar apresentada pelo senador teria sido elaborada pela assessoria do banco.
A defesa do senador afirmou, em nota, repudiar “qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.
Presidente nacional do Progressistas, Nogueira é senador desde 2011. Entre 2021 e 2022, ocupou o cargo de ministro-chefe da Casa Civil no governo de Bolsonaro. No período, tornou-se um dos principais articuladores políticos da gestão bolsonarista no Congresso.