Reinjeção de gás natural em junho é a 3ª maior da história

58% do total produzido no país foi reinjetado para manter a pressão dos reservatórios; taxa volta a se aproximar de recorde

O Brasil reinjetou 126,2 milhões de m³ (metros cúbicos) de gás natural por dia em junho de 2026, o equivalente a 58% da produção diária do período, de 217,3 milhões de m³. É o 3º maior volume da série histórica iniciada em 2010, segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Leia a íntegra (PDF – 3 MB).

A indústria brasileira só havia reinjetado mais de 58% da produção nacional de gás em outras duas ocasiões: março de 2024 (58,31%) e maio de 2026 (58,29%). A reinjeção é o processo de devolução do gás natural extraído de volta para o reservatório subterrâneo, usado principalmente para aumentar a produção de petróleo. 

O procedimento é realizado no Brasil por 3 razões: 

manter a pressão – o gás é comprimido e devolvido ao reservatório para elevar a pressão interna, o que aumenta a extração de óleo;
falta de infraestrutura – o setor ainda enfrenta gargalos no acesso à malha de gasodutos, o que limita o escoamento da molécula até os centros consumidores;
rentabilidade – parte relevante do gás do pré-sal tem alto teor de CO₂, o que reduz sua atratividade comercial em comparação com o gás importado da Bolívia.

No Brasil, a adoção de práticas de reinjeção se deu a partir de 2010, após a descoberta do pré-sal. Nessa camada de exploração, assim como em outros campos de petróleo brasileiros, há predominância de reservatórios de petróleo com gás natural associado –produzido ao mesmo tempo que o óleo.

Cerca de 85% do gás natural extraído pela indústria brasileira é do tipo associado, o que obriga as empresas a decidir entre comercializar o insumo ou reinjetá-lo, já que sua retirada é necessária para viabilizar a produção de petróleo.

LIMITES PARA REINJEÇÃO

A prática de reinjetar gás cresceu no setor a partir de 2015, especialmente em campos offshore das bacias de Campos e de Santos.

Em 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou o decreto 12.153 de 2024, que dá à ANP autoridade para determinar a redução da reinjeção de gás natural nos campos produtores. A medida se aplica a novos projetos e permite à agência revisar planos de desenvolvimento de campos em operação, mesmo diante de contratos vigentes.

A estratégia inclui ampliar o acesso da iniciativa privada à infraestrutura de escoamento e processamento de gás, hoje concentrada na Petrobras. A ampliação da oferta ao mercado interno é vista pelo governo como instrumento para reduzir custos energéticos da indústria. Caso parte do volume reinjetado seja direcionado ao consumo, a expectativa é de maior concorrência no mercado e potencial impacto sobre os preços do gás natural.

No entanto, a malha de transporte e as unidades de processamento ainda operam com limitações para absorver todo o gás produzido no pré-sal. A Abegás (Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado) considera a expansão da infraestrutura necessária para reduzir de forma estrutural os níveis de reinjeção.

Diante dos gargalos de transporte, o gás importado da Bolívia virou uma alternativa para parte do abastecimento nacional. A diferença de composição e de custos influencia a decisão das operadoras sobre comercializar ou reinjetar o gás produzido no pré-sal. A expectativa é que, em 2 anos, o duto que vem do país vizinho alcance potencial para transportar até 20 milhões de m³ por dia para atender ao mercado brasileiro.

Nas últimas semanas, governo e ANP avançaram com medidas para desconcentrar o mercado de gás e ampliar o acesso da indústria à infraestrutura controlada pela Petrobras. A agência aprovou e colocou em consulta pública a minuta que permitirá o acesso não discriminatório de terceiros a gasodutos de escoamento e processamento.

Além disso, a reguladora inicia na 6ª feira (7.ago) a análise da implementação do gás release, que determina a venda obrigatória de parte do gás natural de agentes dominantes de mercado, como a Petrobras, para reduzir concentração, ampliar concorrência e baratear o insumo industrial.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-infra/reinjecao-de-gas-natural-em-junho-e-a-3a-maior-da-historia/

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