Registros de dados de biodiversidade avançam no Brasil, diz IBGE

Resultados mostram melhora na mobilização e no acesso a dados, mas evidenciam a permanência de limitações estruturais

De 2022 a 2025, o número total de registros de ocorrências de espécies no Brasil cresceu 65,49%, chegando a 37,5 milhões. O dado consta na Avaliação dos Dados sobre a Biodiversidade Brasileira – 2025, divulgada na 3ª feira (26.mai.2026) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, com base no Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira.

Esta é a 2ª edição da Avaliação. A publicação do IBGE examina a evolução da quantidade, qualidade e completude dos registros de ocorrência de espécies no país. A análise abrange 9 grandes grupos taxonômicos — anfíbios, artrópodes, aves, fungos, mamíferos, moluscos, peixes ósseos, plantas vasculares e répteis — com dados consolidados até dezembro de 2025.

Os resultados mostram avanços significativos na mobilização e no acesso a dados sobre a biodiversidade, ao mesmo tempo em que evidenciam a permanência de limitações estruturais, como vieses de amostragem, lacunas geográficas, inconsistências e insuficiência de metadados.

O gerente de Meio Ambiente e Geografia do IBGE, Leonardo Bergamini, disse que a avaliação sistemática dos dados sobre biodiversidade fornece subsídios à formulação de políticas públicas, ao planejamento territorial e à conservação dos serviços ecossistêmicos que sustentam a economia e a qualidade de vida da população.

“Por exemplo, ao integrar informações sobre espécies, habitats e pressões antrópicas, é possível monitorar tendências, identificar áreas prioritárias para proteção e orientar ações de adaptação às mudanças climáticas, garantindo decisões mais eficazes e baseadas em evidências”, afirmou.

Em 2025, os maiores volumes absolutos de espécies catalogadas no Brasil concentram-se nos grupos de aves (19.011.519 registros), plantas (11.157.476) e artrópodes (3.694.793). Já os maiores incrementos em relação a 2022 foram observados em fungos, com aumento de 176,6%, seguidos por mamíferos (155%) e peixes (139,9%).

Outro aspecto relevante identificado pela pesquisa é a ampliação das fontes de dados. Embora as Coleções Biológicas permaneçam como importantes fornecedoras de registros, iniciativas de Ciência Cidadã passaram a ter papel central, respondendo por 49,83% das ocorrências disponíveis.

No caso das aves, essa participação alcança 93,84%, evidenciando a contribuição significativa de observadores e plataformas colaborativas.

Além do número de registros de espécies, a publicação também aponta avanços na qualidade das informações catalogadas, sobretudo na dimensão espacial, que na edição anterior da Avaliação apresentava maiores fragilidades.

Em 2025, 34,1% dos registros foram classificados como “Nível 1”, categoria que reúne dados com maior completude e adequação para análises, superando o percentual observado em 2022 (32,74%).

Entre os grupos analisados, as aves apresentaram o melhor desempenho, com aproximadamente metade dos registros classificados como Nível 1. Em contrapartida, os fungos registraram apenas 3,5% nessa categoria. Os répteis se destacaram pela evolução, passando de 11% para 24% de registros de alta qualidade no período.

Reprodução/Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira

Percentual de registros Nível 1, segundo os grupos taxonômicos

Apesar das melhorias, persistem problemas identificados anteriormente. A ausência de coordenadas geográficas continua sendo a principal limitação dos registros, afetando cerca de 9,45 milhões de ocorrências em 2025.

A redundância dos dados passou a figurar como a segunda principal causa de comprometimento da qualidade, além de lacunas na identificação taxonômica.

O estudo indica que o aumento no volume de dados decorre tanto da produção de informações quanto da digitalização e disponibilização de registros históricos.

Também foram observadas melhorias no preenchimento de atributos taxonômicos, espaciais e temporais, com destaque para avanços na dimensão espacial em plantas e fungos, e na dimensão temporal em peixes e fungos.

Número de registros não admitidos no Nível 1 de qualidade de informações, segundo os critérios adotados

Desigualdade persiste

A Avaliação dos Dados sobre a Biodiversidade Brasileira – 2025 trouxe também uma atualização do Índice de Conhecimento da Biodiversidade, que sintetiza as informações sobre a quantidade, a idade, a distribuição temporal e a completude amostral dos registros dos nove grupos taxonômicos.

Assim, o indicador oferece uma visão do estado do conhecimento sobre a biodiversidade brasileira.

A atualização do índice revela que as desigualdades regionais permanecem. As áreas com maior nível de conhecimento continuam concentradas na Região Sudeste e ao longo do litoral brasileiro. Em contrapartida, extensas áreas da Região Norte, especialmente nos estados do Pará e Amazonas, ainda apresentam lacunas significativas de informação.

O estudo também aponta que o crescimento recente dos registros tem ocorrido principalmente em áreas já bem amostradas, mas com menor avanço na cobertura de regiões com poucos dados. No ambiente marinho, embora tenha sido identificado aumento recente, os dados ainda são escassos, em comparação com o ambiente terrestre, e, em muitos casos, antigos.

Índice de conhecimento da biodiversidade no Brasil em diferentes recortes – Painel superior: grade estatística de 50 km. Painel inferior: Regiões Naturais

Em 2025, dos 5.571 municípios brasileiros, 376 tinham menos de 10 registros de ocorrências de espécies e 43 não apresentavam nenhum registro na base analisada.

Por outro lado, o município com maior número de ocorrências foi Poconé (MT), com 897.113 registros, seguido de Brasília (DF), com 463.333; São Paulo (SP), com 441.166; Alta Floresta (MT), com 314.795 e Foz do Iguaçu (PR), com 314.001.

No período de 2022 a 2025, 4.877 municípios apresentaram melhora no Índice de Conhecimento da Biodiversidade, enquanto 651 registraram redução. Em todas as unidades da federação, mais de 70% dos municípios apresentaram evolução, com destaque para o Amapá, onde houve avanço em todos os municípios.

Este texto foi publicado originalmente pela Agência IBGE, em 26 de maio de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-sustentavel/registros-de-dados-de-biodiversidade-avancam-no-brasil-diz-ibge/

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