Presidente do BC afirmou que a quebra do Banco Master não representa risco sistêmico por ser “banco série C”
O presidente do BC (Banco Central do Brasil), Gabriel Galípolo, afirmou nesta 3ª feira (19.mai.2026) que o principal problema do Banco Master não estava no passivo da instituição, mas na forma como os recursos captados eram utilizados.
Segundo ele, a preocupação do BC era que o dinheiro obtido com investidores estivesse sendo direcionado para ativos de baixa qualidade, operações pouco transparentes e estruturas difíceis de comprovar.
Durante audiência na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado, Galípolo afirmou que a quebra do Banco Master não representa risco sistêmico por se tratar de um “banco série C”.
A autoridade monetária utiliza uma classificação regulatória de instituições financeiras por porte e relevância no sistema financeiro. Os maiores bancos estão enquadrados nos segmentos S1 e S2. O Master integrava categorias inferiores.
Galípolo declarou não estar menosprezando o tamanho do prejuízo causado pela liquidação do banco e de instituições financeiras ligadas ao grupo, mas destacou o porte e a relevância reduzidos do Master dentro do SFN (Sistema Financeiro Nacional).
FGC
Galípolo declarou que, depois da crise financeira de 2008, houve um movimento global de aumento da regulação sobre os bancos. Os custos mais elevados levaram parte da intermediação financeira para instituições não bancárias.
Porém, de acordo com ele, no Brasil ocorreu um movimento em sentido oposto, com instituições buscando se tornar bancos para acessar o FGC (Fundo Garantidor de Créditos).
“Você não quer descasamento entre passivo e ativo, ou seja, que a instituição esteja fazendo uma captação no varejo, com garantia do FGC, para aplicar em ativos que não são próprios do varejo”, disse.
O presidente do BC afirmou que o problema não era apenas o passivo coberto pelo FGC, mas o fato de que o banco consumia caixa enquanto tentava honrar títulos emitidos.
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