Valor é quase o dobro comparado ao mesmo período de 2025, quando as perdas trimestrais somaram R$ 1,73 bilhão; queda nas importações impactou o balanço
Os Correios registraram um prejuízo líquido de R$ 3,16 bilhões no 1º trimestre de 2026, de acordo com as demonstrações financeiras oficiais da estatal divulgadas nesta 2ª feira (1º.jun.2026). O resultado negativo consolidado confirma a trajetória de deterioração que já havia sido sinalizada em balancetes contábeis prévios em abril. Leia a íntegra (PDF – 1 mB).
O valor é quase o dobro do registrado no mesmo período de 2025, quando as perdas trimestrais somaram R$ 1,73 bilhão.
A estatal enfrenta uma crise financeira persistente e acumula 14 trimestres seguidos com resultados negativos, operando no vermelho desde 2022. No ano passado, os Correios registraram um rombo de R$ 8,5 bilhões, o pior desempenho de sua história.
QUEDA NAS IMPORTAÇÕES
A receita bruta de vendas e serviços da estatal ficou em R$ 4,04 bilhões de janeiro a março, representando um recuo nominal de 2,2%. O principal fator para a perda de faturamento foi o tombo no segmento de postagens internacionais, que despencou 60,3%. A arrecadação com encomendas vindas do exterior caiu de R$ 393 milhões nos primeiros 3 meses de 2025 para R$ 156 milhões no primeiro trimestre deste ano.
Essa retração acentuada repete um movimento observado desde a implementação do programa Remessa Conforme, em 2023. O modelo eliminou a isenção tributária e passou a cobrar uma alíquota de 20% de Imposto de Importação em compras internacionais de até US$ 50, medida que ficou conhecida popularmente como “taxa das blusinhas”.
A receita com encomendas internacionais, que chegou a representar 22% do faturamento total da empresa em 2023, encolheu para apenas 7,8% de participação. As encomendas gerais também apresentaram queda de 5,4% (menos R$ 128 milhões).
JUROS DE EMPRÉSTIMO E TCU
As contas da estatal foram pressionadas pelo forte aumento nas despesas financeiras, que subiram de R$ 283 milhões para R$ 985 milhões na comparação trimestral. O salto decorre dos custos com juros e encargos de contratos, incluindo o empréstimo de R$ 12 bilhões tomado pela companhia no fim de 2025 com o aval da União. Esse financiamento, destinado a cobrir passivos e bancar o plano de reestruturação da gestão de Emmanoel Rondon (iniciada em setembro de 2025), projeta um custo total de R$ 22,4 bilhões em juros.
Além disso, o balanço final incluiu uma provisão de R$ 1,06 bilhão para riscos de ações trabalhistas. O montante, puxado majoritariamente pela reavaliação de riscos em ações trabalhistas (que somam R$ 3,95 bilhões do valor total), havia sido retirado das demonstrações financeiras pela administração anterior, de Fabiano Silva dos Santos.
O passivo retornou ao balanço após questionamentos e recomendações do TCU (Tribunal de Contas da União) e da CGU (Controladoria-Geral da União). Por causa dessa revisão, o passivo total com contingências judiciais dos Correios subiu para R$ 4,66 bilhões em março.
LOGÍSTICA E CORTE DE PESSOAL
Como contrapartida, a gestão conseguiu reduzir os custos operacionais em 7,6%, caindo para R$ 3,7 bilhões. Os gastos com pessoal recuaram 4,1% (somando R$ 2,7 bilhões), beneficiados pelo PDV (Plano de Demissão Voluntária) estruturado em 2024, o que compensou o reajuste salarial de 5,1% dado à categoria.
No campo das receitas operacionais, o segmento de “Outros serviços” –que reúne as divisões de logística integrada e conveniência nas agências– foi o destaque positivo do balanço oficial, apresentando uma expansão de 48% ao saltar para R$ 465 milhões no trimestre. Já o setor de mensagens postais avançou 11,4%, fechando o período em R$ 1,2 bilhão.