PCC e CV somam 88% dos presos pela PF em ações contra facções

Polícia Federal realizou 743 operações contra organizações criminosas desde 2022, a maioria para combater o tráfico de drogas; no total, elas resultaram em 2.596 prisões

Pessoas ligadas ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e ao CV (Comando Vermelho) representaram 88% das prisões temporárias ou preventivas em operações realizadas de janeiro de 2022 até maio de 2026 pela PF (Polícia Federal) contra facções criminosas.

No total, as operações resultaram em 2.596 prisões no período. Dessas, 1.102 ocorreram em operações contra o PCC, 1.077 contra o CV e 100 em operações que miraram os 2 grupos.

As informações foram obtidas pela GloboNews junto à PF via Lei de Acesso à Informação. O pedido foi respondido na 5ª feira (28.mai.2026) e divulgado pela emissora nesta 2ª feira (1.jun.2026).

As duas facções foram classificadas pelos Estados Unidos como organizações “terroristas”. A iniciativa da Casa Branca entra em vigor nesta 6ª feira (5.jun.2026) e autoriza o bloqueio de bens e ativos financeiros ligados às duas organizações criminosas, entre outras medidas.

Segundo o levantamento, a PF deflagrou 743 operações contra o crime organizado desde 2022 –308 miraram o CV, 284 o PCC e 13 ambos os grupos. Somados, CV e PCC respondem por 81% da operações no período.

Essas operações resultaram, no total, em 1.639 prisões preventivas e 957 prisões temporárias. Dessas, 547 preventivas miraram membros do PCC, 825 do CV e 45 de ambos. Quanto às prisões temporárias, 555 envolveram o PCC, 252 o CV e 55 os 2 juntos.

Membros do PCC e CV somam 2.279 das prisões da PF em operações contra facções, ou 88% do total no período.

A maioria das operações teve como foco o combate ao tráfico de drogas (518, ou 70% do total). Em seguida, vêm operações contra crimes contra o patrimônio, tráfico de armas, crimes ambientais, contra o patrimônio histórico e cultural e povos originários.

METODOLOGIA

Algumas operações miraram mais de 1 facção. Para PCC foram consideradas operações contra: Amigos do Estado e PCC; Amigos do Estado, PCC e TCP; Guardiões do Estado e PCC; Massa e PCC; Os Manos, outra e PCC; Os Manos e PCC; PCC-DF; Outra e PCC; PCC; PCC e PGC. Para CV foram consideradas operações contra: CV, CV e outra; CV e Raio A; CV e TCP; CVMT. Para os 2 juntos: PCC e CV, PCC, outra e CV.

A PF declarou considerar os dados somente de operações policiais que envolveram prisão de pessoas ligadas a facção criminosa.

FACÇÕES E TERRORISMO

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou na 5ª feira (28.mai.2026) que classificará o PCC e o CV como organizações “terroristas”. As duas facções receberão as designações de “terroristas globais especialmente designados” e “organizações terroristas estrangeiras”. Leia a íntegra (804 – kB).

Autoridades norte-americanas poderão bloquear contas e ativos, restringir movimentações financeiras, impedir acesso ao sistema bancário norte-americano, aplicar sanções internacionais e punir pessoas e empresas que mantenham relações comerciais com integrantes desses grupos. 

Para implementar as sanções, o governo Trump poderá recorrer principalmente a duas normas. Uma delas é a Rico (Racketeer Influenced and Corrupt Organizations Act), criada para combater organizações criminosas nos Estados Unidos. A legislação permite processar grupos envolvidos em crimes continuados, como lavagem de dinheiro, corrupção, extorsão e tráfico. A Rico é considerada uma das principais ferramentas americanas contra organizações criminosas complexas. 

A outra é a Foreign Narcotics Kingpin Designation Act, conhecida como Kingpin Act, voltada ao combate ao narcotráfico internacional. A legislação autoriza o governo norte-americano a bloquear bens e contas, proibir transações financeiras, restringir acesso ao sistema bancário americano e aplicar sanções contra pessoas e empresas ligadas ao tráfico. Ambas as leis exigem investigações formais, produção de provas e análise judicial antes da aplicação de sanções.

Divergência entre Brasil e EUA

No Planalto, a avaliação é que o PCC e o CV não se enquadram na definição de terrorismo prevista na legislação brasileira. O argumento é que as facções atuam por motivação econômica e por controle territorial, e não ideológica. Desde quando foi anunciada a possibilidade desse enquadramento pela Casa Branca, o Planalto vem afirmando que a medida amplia uma divergência jurídica existente com Washington.

A classificação pode causar efeitos colaterais sobre instituições financeiras brasileiras. O principal temor do governo brasileiro é que a classificação adotada pelos Estados Unidos possa expor instituições financeiras brasileiras a penalidades automáticas. A medida ampliaria o risco de interpretações jurídicas mais abrangentes no sistema financeiro internacional. A decisão também abre margem para medidas de alcance transnacional com base em normas norte-americanas. 

Auxiliares de Lula afirmam que a medida poderia abrir precedente para pressões externas e interpretações jurídicas que extrapolem o enquadramento previsto na legislação brasileira. A classificação poderia ter também potenciais efeitos sobre a soberania regulatória no enfrentamento ao crime organizado.

Nesta 2ª feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o PCC e o CV causam “terror social” à população brasileira, mas que o governo tentou evitar a classificação durante meses de negociações com autoridades norte-americanas. Segundo ele, o Brasil tem defendido que o combate ao crime organizado deve ser realizado por meio da cooperação entre os países e do compartilhamento de informações de inteligência.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-seguranca-publica/pcc-e-cv-somam-88-dos-presos-pela-pf-em-acoes-contra-faccoes/

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