Presidente defendeu “latir de volta” para a oposição; aliados fizeram comentários negativos sobre Campos Neto e a Câmara dos Deputados
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfatizou, neste domingo (24.dez.2023), véspera de Natal, a necessidade de união entre as pessoas em detrimento das divergências políticas.
A fala foi feita em pronunciamento exibido em rede nacional –assista aqui (5min48s). Ao longo do ano, entretanto, o petista e seus aliados acumularam falas contraditórias ao tom do discurso.
Autoridades como o senador Sergio Moro (União-PR), o ex-deputado Deltan Dallagnol, o secretário-geral do União Brasil, ACM Neto, e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foram alvos de comentários negativos e, por vezes, pejorativos por parte de integrantes do governo. Na economia, o destaque vai para as críticas ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
Leia algumas declarações de Lula ao longo de 2023 em que sinalizou manter a polarização política:
disse que queria “foder” Moro (21.mar) – “De vez em quando um procurador entrava lá de sábado, ou de semana, para visitar, se estava tudo bem. Entrava 3 ou 4 procuradores e perguntava ‘tá tudo bem?’. Eu falava ‘não está tudo bem. Só vai estar bem quando eu foder esse Moro’”. A fala se refere ao período que passou na prisão, de abril de 2018 a novembro de 2019;
disse que agro paulista é negacionista e fascista (11.mai) – “Tem a famosa feira da agricultura em Ribeirão Preto, que alguns fascistas, alguns negacionistas, não quiseram que ele [ministro da Agricultura, Carlos Fávaro] fosse na feira. Desconvidaram meu ministro”. Além de ofensiva, a fala de Lula estava incorreta. Fávaro foi convidado para ir à Agrishow, mas não foi porque o evento teria a presença do ex-presidente Bolsonaro;
chamou ACM Neto de “grampinho” (11.mai) – o comentário sobre o secretário-geral do União Brasil acirrou os ânimos com os representantes do partido Congresso Nacional, com quem o governo tem dificuldades de diálogo;
definiu Michel Temer (MDB) como “golpista” (25.jan) – “O que fiz de política social durante 13 anos de governo foi destruído em 7 anos –3 do golpista Michel Temer e 4 do governo Bolsonaro. Por isso o tema do meu governo é ‘União e Reconstrução’”;
disse que Bolsonaro é fascista e genocida (16.ago) – “A única razão pela qual eu voltei a ser presidente da República, tirando aquele fascista, genocida do poder, foi para provar a esse país e ao mundo que esse país tem condição de tratar seu povo com respeito”. O ex-presidente ainda tem influência política;
diz que manifestantes pagaram “papelão” (25.abr) – “Acho que essas pessoas, quando voltarem para casa e deitarem a cabeça no travesseiro, vão falar: ‘que papelão nós fizemos’”. A declaração se deu depois que deputados portugueses fizeram uma manifestação contra o petista durante uma visita ao país europeu;
comparou Israel a terrorismo (13.nov) – segundo Lula, a reação do país na Faixa de Gaza é tão grave quanto o ataque “terrorista” do grupo extremista Hamas, que invadiu uma rave e matou civis;
ironizou Javier Milei (21.nov) – sem citar nomes, criticou o que chamou de “nova experiência” econômica que surgiu na América do Sul. A declaração é feita 2 dias depois da eleição do libertário como presidente da Argentina.
Abaixo, falas controversas de aliados e integrantes do governo petista:
governo manda indireta para Deltan Dallagnol (17.mai) – a Secretaria de Comunicação Social recriou o “PowerPoint da Lava Jato” com feitos positivos do governo 1 dia depois da cassação do ex-deputado. No episódio original, quando Dallagnol era coordenador da força-tarefa da Lava Jato, ele apresentou um gráfico feito no programa PowerPoint no qual Lula era apontado como figura central de um esquema de corrupção:
Fernando Haddad critica a Câmara dos Deputados (14.ago) – “Está com um poder que eu nunca vi na minha vida. Tem que haver uma moderação, tem que ser construído”, disse o ministro da Fazenda. A fala criou atritos com a Casa Baixa;
assessora de ministra fala mal de torcida (24.set) – Marcelle Decothé da Silva criticou os torcedores do São Paulo na final da Copa do Brasil. “Torcida branca, que não canta, descendente de europeu safade… Pior de tudo pauliste”. Ela também chamou a diretoria do Flamengo de “fascista”. Foi demitida posteriormente pela ministra Anielle Franco (igualdade racial);
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Assessora do Ministério da Igualdade Racial também criticou diretoria do Flamengo e ironizou a Polícia Federal em seus posts no Instagram
Gleisi Hoffmann critica Campos Neto – a deputada federal (PR) e presidente do PT já teceu comentários ácidos contra o chefe da autoridade monetária diversas vezes. Na mais recente, em 9 de dezembro, disse que a política dele é de “austericídio fiscal”;
Gleisi X Haddad (9.dez) –a desunião às vezes está presente dentro da própria cúpula governamental. A deputada já discordou publicamente de políticas econômicas do ministro. Ambos discordaram sobre a questão do “austericídio fiscal”;
Luiz Marinho ironizou medida do Congresso (22.nov) – o ministro do Trabalho ironizou o período que a Casa levou para aprovar a urgência para derrubar a portaria que limitava o trabalho do setor de comércio em feriados. Relatou ter pensado “meu Deus, que agilidade, que pressa” quando soube da decisão;
Enquanto direita briga, esquerda constrói, disse Gleisi (6.out) – a fala se refere às eleições municipais de São Paulo. “Ainda falta um ano para eleição e à direita na capital de São Paulo vai batendo cabeça, enrolada em suas contradições”, declarou.