Governo impulsiona fim da 6 X 1 e Desenrola enquanto avalia reação a Alcolumbre; destino de Messias pode ser decidido nesta semana
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começa a semana tentando virar a página. Em 2 dias, levou duas derrotas seguidas: o Senado rejeitou Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal –algo inédito desde 1894– e o Congresso derrubou o veto ao PL da Dosimetria, que beneficia Jair Bolsonaro (PL) e os envolvidos no 8 de Janeiro.
Reservadamente, integrantes do governo discutiram medidas de retaliação ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), como a demissão de indicados ligados ao senador. O martelo ainda não foi batido e depende do aval de Lula, que espera a temperatura baixar e foca em pautas econômicas.
No dia seguinte à derrota de Messias, o petista fez pronunciamento em rede nacional de rádio e TV pelo Dia do Trabalhador. Não houve menção à rusga com o Senado na mensagem. Lula falou de 6 X 1 e Desenrola. Ignorou o tombo.
O Planalto decidiu vender a redução da jornada como uma política de bem-estar para as mulheres –maioria do eleitorado. Para enfrentar o endividamento no Brasil, o Novo Desenrola é lançado nesta 2ª feira (4.mai) por Medida Provisória. Entra em vigor imediatamente, mas precisa de aval do Congresso em até 120 dias para virar lei.
Ricardo Stuckert/Planalto – 30.abr.2026
No pronunciamento, o presidente criticou o que chama de “sistema”: Lula considera os mais ricos do país e que impedem avanços nas áreas sociais. O petista disse: “A elite brasileira sempre foi contra melhorias para o trabalhador: o salário mínimo, as férias remuneradas, o 13º salário. A turma do andar de cima disse que cada uma dessas conquistas ia quebrar o Brasil”
Alcolumbre em pauta
O problema é que mudar de assunto não resolve o impasse com o Senado. O Planalto ainda avalia se vai retaliar Alcolumbre. Uma das hipóteses discutidas é demitir ocupantes de cargos de confiança ligados ao amapaense na Esplanada. Mas há cautela.
Alcolumbre saiu do episódio Messias com novas alavancas sobre Lula. A PEC do fim da escala 6 X 1 avança na Câmara e deve ir a plenário em maio. Depois, segue para o Senado. Quem ditará o ritmo será o presidente da Casa. Lula precisa da proposta aprovada antes das urnas: 55,7% dos brasileiros apoiam o fim da escala, segundo AtlasIntel/Bloomberg.
O presidente do Senado ambém segura a PEC da Segurança Pública. A proposta espera despacho do presidente da Casa para ir à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania). Sem esse ato, não anda. O governo trata o projeto como vitrine num dos temas que mais preocupam os brasileiros, segundo o Datafolha.
E há ainda as 27 indicações do governo precisam passar pelo Senado em 2026. Banco Central, Cade, CVM, Anvisa, Anatel, Aneel e ANS estão na fila. As nomeações não têm efeito eleitoral direto, mas travam a articulação política.
o futuro de Messias
Sobre a rejeição de Messias, o presidente não se pronunciou publicamente. O advogado-geral da União colocou o cargo à disposição depois da derrota, mas Lula não quer perder o aliado e estuda recolocá-lo no governo. Ambos se reúnem nesta semana para uma conversa final sobre a possível permanência.
Quanto ao STF, a avaliação no Planalto é de que Lula não abrirá mão da sua prerrogativa de indicar um novo nome, mas ainda não se sabe quando. Enquanto isso, o governo quer mudar de assunto.
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