Leia o manifesto de Cole Allen, atirador de jantar de Trump

Em texto enviado a familiares e amigos, engenheiro disse que seus principais alvos eram altos funcionários do governo

Cole Allen, atirador que tentou invadir o jantar do presidente norte-americano Donald Trump (republicano) com autoridades e jornalistas no sábado (25.abr.2026), enviou um texto aos familiares antes de entrar em confronto com agentes do Serviço Secreto no Washington Hilton Hotel, onde era realizado o evento.

No texto, Allen escreveu que pretendia matar autoridades do governo Trump. Seus principais alvos eram as autoridades da administração republicana, com exceção do diretor do FBI (Federal Bureau of Investigation), Kash Patel. Essa informação havia sido divulgada mais cedo pelo Departamento de Justiça dos EUA, mas como uma conclusão ainda preliminar.

Allen escreveu que nenhuma pessoa o impediria de atingir seus alvos.

“Eu passaria por praticamente qualquer pessoa aqui para chegar aos alvos, se fosse absolutamente necessário (com base na ideia de que a maioria das pessoas ‘escolheu’ participar de um discurso de um pedófilo, estuprador e traidor, sendo, portanto, cúmplice), mas realmente espero que não chegue a esse ponto”, disse.

De acordo com informações do New York Post, Allen mencionou sua fé cristã diversas vezes no documento.

O atirador também fez referência a questões políticas da atual administração, incluindo os ataques do governo Trump a embarcações de narcotraficantes venezuelanos e a detenção de migrantes ilegais.

Leia a íntegra traduzida de parte do manifesto atribuído a Cole Allen:

“Olá a todos!

“Então, talvez eu tenha surpreendido muita gente hoje. Deixe-me começar pedindo desculpas a todos cuja confiança eu abusei. Peço desculpas aos meus pais por dizer que eu tinha uma entrevista sem especificar que era para ‘Mais Procurados’.

“Peço desculpas aos meus colegas e alunos por dizer que eu tinha uma emergência pessoal (quando alguém ler isso, provavelmente eu realmente PRECISAREI ir ao pronto-socorro, mas dificilmente posso dizer que não foi algo autoinfligido).

“Peço desculpas a todas as pessoas ao lado de quem viajei, a todos os trabalhadores que lidaram com minha bagagem e a todas as outras pessoas não visadas no hotel que coloquei em perigo simplesmente por estarem próximas.

“Peço desculpas a todos que foram abusados e/ou assassinados antes disso, a todos aqueles que sofreram antes que eu pudesse tentar isso, e a todos que ainda possam sofrer depois, independentemente do meu sucesso ou fracasso.

“Não espero perdão, mas se eu pudesse ter visto qualquer outra forma de chegar tão perto, eu a teria escolhido. Mais uma vez, minhas sinceras desculpas.

“Quanto ao motivo de eu ter feito tudo isso:

“Sou cidadão dos Estados Unidos da América.

“O que meus representantes fazem reflete em mim.

“E não estou mais disposto a permitir que um pedófilo, estuprador e traidor manche minhas mãos com seus crimes.

“(Bem, para ser completamente honesto, já não estava disposto há muito tempo, mas esta é a primeira oportunidade real que tive de fazer algo a respeito.)

“Já que estou falando disso, também vou explicar minhas regras previstas de engajamento (provavelmente de uma forma péssima, mas não sou militar, então paciência).

“Funcionários da administração (não incluindo o Sr. Patel): são alvos, priorizados do mais alto cargo ao mais baixo.

“Serviço Secreto: são alvos apenas se necessário, e para serem incapacitados de forma não letal, se possível (ou seja, espero que estejam usando colete à prova de balas, porque tiros no centro do corpo com espingardas causam danos mesmo em quem ‘não deveria’).

“Segurança do hotel: não são alvos, se possível (ou seja, a menos que atirem em mim).

“Polícia do Capitólio: mesma coisa que a segurança do hotel.

“Guarda Nacional: mesma coisa que a segurança do hotel.

“Funcionários do hotel: não são alvos de forma alguma.

“Hóspedes: não são alvos de forma alguma.

“Para minimizar vítimas, também usarei cartuchos de chumbo múltiplo (buckshot) em vez de projéteis únicos (slugs), pois atravessam menos paredes.

“Ainda assim, eu passaria por praticamente qualquer pessoa aqui para chegar aos alvos, se fosse absolutamente necessário (com base na ideia de que a maioria das pessoas ‘escolheu’ participar de um discurso de um pedófilo, estuprador e traidor, sendo, portanto, cúmplice), mas realmente espero que não chegue a esse ponto”.

Leia abaixo parte original do manifesto:

ATAQUE AO JANTAR DE TRUMP

Leia abaixo o que se sabe até agora:

o que houve – um homem armado furou a barreira de segurança durante um evento com Trump, o Serviço Secreto reagiu e tiros foram disparados;
o que era o evento – o tradicional jantar com os jornalistas setoristas na Casa Branca, realizado em 25 de abril de 2026 no Washington Hilton Hotel, na capital dos EUA, com o republicano, o 1º escalão do governo Trump, profissionais da mídia e convidados;
Trump escoltado – assim que os tiros foram ouvidos, o Serviço Secreto retirou o republicano às pressas do jantar;
quem é o suspeito – Cole Allen tem 31 anos, é engenheiro formado pela Caltech e morava na Califórnia. Ele portava duas armas de fogo e várias facas no momento em que foi imobilizado pelo Serviço Secreto. Está sob a custódia das autoridades;
“lobo solitário” – após o ataque, Trump falou a jornalistas e disse acreditar que Cole Allen agiu sozinho –ele também postou uma foto do homem em seu perfil nas redes sociais;
feridos no ataque – Trump afirmou que ele, a primeira-dama Melania, o vice-presidente JD Vance e os demais integrantes do governo que estavam no jantar estão bem, mas que um agente do Serviço Secreto foi baleado. Disse ter conversado com o oficial, que está bem e vestia um colete à prova de balas.

ASSOCIAÇÃO DE JORNALISTAS

O jantar de sábado (25.abr) entre jornalistas e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi organizado pela WHCA (“White House Correspondents Association”). A forma mais correta de traduzir o nome dessa entidade privada é “Associação dos Jornalistas que fazem a Cobertura da Casa Branca”.

A WHCA foi criada por jornalistas em 25 de fevereiro de 1914, como resposta a uma declaração do então presidente dos EUA, Woodrow Wilson, que em 1913 disse que poderia acabar com a tradição de participar de entrevistas para jornalistas, pois “certos jornais vespertinos” (sem dizer quais) estariam publicando frases que ele considerava ter dado de forma reservada.

O 1º jantar anual da WHCA foi realizado em 7 de maio de 1921 no Arlington Hotel, na esquina da avenida Vermont com a rua L, em Washington. O então presidente dos EUA, Warren G. Harding, não foi ao evento. O 1º presidente norte-americano a participar do jantar foi Calvin Coolidge, em 1924.

Ao longo dos anos, o jantar se tornou uma tradição do mundo político norte-americano, na capital do país. O local muda de tempos em tempos. É sempre uma oportunidade para o presidente do país falar de maneira mais descontraída, ouvir e contar piadas.

Essas oportunidades são vistas como uma celebração da liberdade de expressão, um dos direitos mais populares no país e consagrado em 1791 pela 1ª emenda à Constituição dos EUA, que impede o Congresso de criar leis que limitem a liberdade de expressão, imprensa, reunião, religião e petição ao governo.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-internacional/leia-manifesto-de-cole-allen-atirador-de-jantar-de-trump/

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