Pedido foi feito após o STJ conceder habeas corpus e a PF avaliar que havia elementos suficientes para a conversão das temporárias em preventivas
A 5ª Vara da Justiça Federal em Santos (SP) decretou na 5ª feira (23.abr.2026) a prisão preventiva dos MCs Ryan SP e Poze do Rodo, do criador da página Choquei, Raphael Sousa Oliveira, e de outros 36 investigados por envolvimento em um esquema bilionário de lavagem de dinheiro.
O pedido foi feito pela Polícia Federal depois de o STJ (Superior Tribunal de Justiça) conceder habeas corpus. Com o avanço das investigações e a análise de provas apreendidas, a PF avaliou que há elementos suficientes para a conversão das prisões temporárias em preventivas. As informações são do portal g1.
Os alvos da operação Narco Fluxo haviam sido presos temporariamente pela PF em 15 de abril.
No habeas corpus, o ministro Messod Azulay Neto, relator do caso no STJ, considerou ilegal o decreto de prisão temporária por 30 dias. Segundo ele, a PF havia solicitado prazo de 5 dias, período que já havia terminado.
O advogado Felipe Cassimiro, que representa MC Ryan SP, usou seu perfil no Instagram para criticar o pedido de prisão feito após a concessão do habeas corpus pelo STJ.
“Causa perplexidade o caráter manifestamente extemporâneo do pedido. Se estivessem, desde antes, os requisitos da preventiva, por que não foi ela requerida no momento oportuno?”, declarou.
Já o advogado de Poze do Rodo, Fernando Henrique Cardoso Neves, afirmou que o novo pedido feito pela PF não apresenta fatos novos e criticou a condução do caso.
A defesa de Raphael Sousa Oliveira, criador da Choquei, disse que vai recorrer imediatamente ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, ao STJ e, se necessário, ao Supremo Tribunal Federal, para restabelecer a Constituição.
Quem é MC Ryan SP
O cantor é apontado como o principal líder do esquema de lavagem de dinheiro, misturando valores recebidos em apostas com receitas de atividades artísticas. Segundo investigadores, ele utilizava empresas para integrar recursos de shows e direitos autorais com valores oriundos da exploração ilegal de bets.
A PF afirma que o cantor seria o beneficiário final da estrutura, com movimentação bancária incompatível com o faturamento declarado e recebimento de milhões de reais de intermediários ligados a apostas não regulamentadas e influenciadores investigados por estelionato digital.
Segundo o relatório, a estrutura utilizava operadores financeiros para dificultar o rastreamento dos recursos antes de integrá-los ao patrimônio pessoal, com posterior uso na aquisição de bens de luxo, como veículos, imóveis e joias.
“Jogo do Tigrinho”
De acordo com a PF, o eixo central do esquema seria a exploração de bets não regulamentadas e rifas on-line. O relatório aponta que a empresa OMS Tecnologia era utilizada para receber grandes volumes de dinheiro depositados por apostadores.
Segundo os investigadores, a empresa funcionaria como intermediária financeira, acumulando valores via Pix e distribuindo os recursos com mecanismos para ocultar os destinatários finais, dificultando o rastreamento.
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Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-justica/justica-decreta-prisao-de-mcs-e-do-criador-da-choquei/