Ofensiva é o 1º ataque direto iraniano desde o cessar-fogo de abril; Hezbollah assumiu autoria dos disparos
O Irã lançou mísseis contra o norte de Israel neste domingo (7.jun.2026) em retaliação a um bombardeio israelense em Beirute, capital do Líbano. A ofensiva marca o 1º ataque direto de Teerã contra o território israelense desde o anúncio do cessar-fogo regional, em 8 de abril, e intensifica os temores de uma guerra aberta no Oriente Médio.
As hostilidades começaram pela manhã, quando o grupo extremista libanês Hezbollah atacou o Exército de Israel no norte do país. Em resposta, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Israel Katz, ordenaram um bombardeio contra infraestruturas do grupo em Dahiyeh, subúrbio no sul de Beirute.
O balanço inicial da mídia estatal libanesa indicou 2 mortos e 11 feridos.
Ação da IDF
Depois da ofensiva em Beirute, o Irã disparou uma 1ª onda com 4 mísseis direcionados para o norte de Israel, seguida por novos lançamentos. Sirenes de alerta soaram na região e os sistemas de defesa aérea israelenses foram acionados para interceptar as ameaças.
Um porta-voz da IDF (Forças de Defesa de Israel) afirmou que, depois do ataque militar em Beirute, a instituição avaliou o cenário e já se preparava para receber fogo inimigo.
Segundo o comando militar, as tropas reforçaram suas capacidades defensivas e mantêm alto nível de prontidão para uma variedade de cenários ofensivos e defensivos. Altos funcionários da inteligência monitoram de perto os desdobramentos e orientaram o público a permanecer vigilante.
O bombardeio israelense em Beirute interrompeu um período de calmaria depois de um cessar-fogo anunciado recentemente pelos Estados Unidos. A retomada dos ataques forçou moradores que haviam retornado a Dahiyeh nas últimas semanas a fugir novamente. Antes disso, uma outra trégua firmada em 17 de abril já havia sido descumprida pelos países.
Reações políticas e posição dos EUA
Antes do disparo dos mísseis, autoridades de Teerã prometeram uma reação firme. O porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, disse nas redes sociais para a população observar o céu na noite de domingo. Já o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que o bloqueio naval norte-americano e o aval de Washington aos ataques israelenses tornavam as bases dos EUA e os ativos de Israel na região alvos legítimos das forças iranianas.
Depois do início dos bombardeios, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, publicou em seu perfil no X uma imagem com as bandeiras do Irã e do Líbano unidas.
O presidente dos EUA, Donald Trump, foi informado sobre a situação militar. Em entrevista à emissora NBC News realizada antes do ataque, Trump afirmou que o governo norte-americano manterá as sanções econômicas e o congelamento de ativos financeiros contra o Irã, descartando qualquer flexibilização em eventuais negociações para encerrar o conflito.
Histórico do conflito
Atualmente, cerca de 20% do território libanês está sob o controle de tropas israelenses, com confrontos violentos concentrados no sul do país. O embate direto entre Israel e o Irã ganhou força sob o comando do novo líder supremo iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei, que assumiu o poder em 28 de fevereiro depois da morte de seu pai.