Concessões no pico em 2025 não impediram crescimento da fila, que chegou a ter 3 milhões de pedidos
O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) concedeu 7,65 milhões de auxílios em 2025, o maior número da história. São benefícios que envolvem aposentadorias, pensões, auxílios-doença, acidente e maternidade, além do BPC (Benefício de Prestação Continuada).
A liberação recorde, no entanto, não foi suficiente para diminuir muito a fila de pedidos por novos estipêndios. Em março de 2026, havia 2,8 milhões de análises pendentes. O recorde foi em fevereiro, com 3,1 milhões.
Os dados indicam que a Previdência não está conseguindo suprir a demanda por auxílios. A liberação de benefícios sobe a cada ano e, mesmo assim, cada vez mais pessoas requerem o dinheiro. A situação ficou mais drástica depois da pandemia, como mostra o gráfico a seguir:
A judicialização é um dos fatores que explica essa alta de benefícios. Em 2019, antes da pandemia, 10,5% dos auxílios do INSS haviam sido concedidos depois de decisões judiciais. Em 2025, com mais solicitações, essa taxa subiu para 14,8%. Chegou a atingir 20,1% no recorde mensal, em abril de 2022.
É natural que a liberação de benefícios até cresça aos poucos a cada ano, com a população ficando cada vez mais idosa, mas a alta da curva de concessões observada nos últimos 4 anos não é explicada só por essas mudanças demográficas.
REGRAS MAIS FROUXAS
Um ponto que explica o crescimento da liberação de auxílios é a implementação de novos sistemas de análises de requerimentos, como o Atestmed, que permite que um segurado comece a receber um benefício só com base em documentação médica, sem passar de imediato por uma perícia.
Esse sistema ajuda a analisar principalmente as solicitações de auxílio-doença, que estão em patamares elevados na comparação histórica. Em dezembro de 2025, de todos os benefícios concedidos, 53,7% foram auxílios-doença. Em dezembro de 2019, essa proporção era de 39,2%.
O TCU (Tribunal de Contas da União) recomendou em dezembro de 2025 que o Ministério da Previdência e o INSS adotassem medidas para mitigar o risco de fraudes nas análises do Atestmed. O governo diz ter tomado providências, mas não detalha exatamente quais.
“Essa bomba previdenciária já explodiu, em que pese ter disparado a fila de quem espera benefícios. O que exige que seja dada a prioridade social e fiscal necessária para essa questão. Um choque de digitalização, com processos mais rápidos, porém cruzando os vários dados públicos, em muito poderia ajudar a se ter uma Previdência mais providente para quem realmente precisa”, afirma José Roberto Afonso, professor do IDP e fundador da consultoria Finance.
41,6 MILHÕES RECEBEM
O INSS faz 41,6 milhões de pagamentos a cada mês. A maioria (24,15 milhões) é de aposentadorias. O acumulado de auxílios está no maior patamar da história.
ROMBO: + DE R$ 300 BILHÕES
O dinheiro que a Previdência arrecada anualmente não é suficiente para pagar tantas aposentadorias e benefícios diversos. Aí fica um rombo que é coberto pelo governo.
Em 2025, a Previdência ficou deficitária em R$ 317,2 bilhões. O valor também foi o maior já registrado até agora. Mais do que dobrou na comparação com 2016.