Indústria critica projetos no Congresso sobre ultraprocessados

Presidente de associação do setor de alimentos, João Dornellas afirma que conceito usado em políticas públicas é amplo e confuso

A Abia (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos) avalia que o Brasil está avançando em políticas públicas sobre alimentos ultraprocessados sem que exista uma definição científica consolidada para a categoria.

O presidente-executivo da entidade, João Dornellas, afirmou que a principal preocupação do setor é que projetos de lei em tramitação no Congresso usem um conceito considerado “amplo e confuso” pela indústria. A declaração foi dada em entrevista ao Poder360 gravada em 26 de maio de 2026 por videoconferência.

Assista à entrevista (28min25s):

Formado em tecnologia de leite e derivados e em administração, Dornellas tem pós-graduação em gestão de negócios e MBAs pelo Ibmec e pela FespSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo).

Também possui especializações internacionais em liderança e gestão corporativa. Integra o Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial, ligado ao Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

Segundo o especialista, a nova classificação, criada em 2009 por pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo), não teria sido aceita pela comunidade científica internacional de ciência e tecnologia de alimentos nem por órgãos reguladores de diversos países.

“A definição de ultraprocessado nunca foi aceita pela comunidade científica internacional de ciência e tecnologia de alimentos”, declarou.

A Abia contabiliza 188 projetos de lei que mencionam o termo ultraprocessado no Congresso Nacional. Boa parte das propostas trata da alimentação escolar e prevê restrições ou proibições à venda e ao consumo desses produtos nas escolas.

Para Dornellas, a classificação reúne alimentos com composições nutricionais muito distintas e acaba incluindo desde balas e refrigerantes até fórmulas infantis, iogurtes, requeijões e pães industrializados.

“O grande problema é que as pessoas associam ultraprocessado a refrigerante, hambúrguer ou donuts. Mas a classificação engloba uma ampla variedade de produtos”, disse.

Educação em vez de restrição

Dornellas afirmou que a indústria defende políticas de educação alimentar e nutricional em vez de restrições baseadas na classificação. Segundo ele, obesidade é um problema multifatorial e não pode ser atribuída a um único grupo de alimentos.

“O que a gente tem que criar é alimentação saudável, estimular a alimentação saudável e não buscar um culpado”, afirmou.

O executivo disse ainda que eventuais restrições podem elevar custos para escolas e municípios. Segundo a entidade, a exclusão de produtos classificados como ultraprocessados da merenda escolar exigiria mudanças logísticas e poderia aumentar despesas e preços para o consumidor.

MODELO ALTERNATIVO

Ao defender um modelo alternativo ao que está em discussão no Congresso, o presidente da Abia afirmou que a indústria apoia diversidade alimentar, moderação no consumo de ingredientes críticos e informação ao consumidor.

“Equilíbrio, diversidade e educação alimentar. É isso que define se podemos ter uma boa saúde advinda da alimentação ou não”, declarou.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-economia/industria-critica-projetos-no-congresso-sobre-ultraprocessados/

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