Indústria considera insuficiente redução de 0,25 p.p. na Selic

Entidades que representam o setor alertam para impactos na economia e criticam manutenção dos juros em patamar elevado

Entidades que representam o setor da indústria criticaram a decisão do Banco Central de reduzir a taxa Selic de 14,75% para 14,50% ao ano. A avaliação é de que o corte foi insuficiente e que a opção por manter os juros elevados continuará prejudicando o ritmo das atividades industriais no país.

A autoridade monetária decidiu nesta 4ª feira (29.abr.2026) cortar a taxa básica em 0,25 ponto percentual. O movimento era esperado pelos agentes financeiros e foi unânime entre os diretores.

O setor afirma que a manutenção da taxa na casa dos 14% compromete a expansão da indústria e reduz o ritmo dos investimentos para o crescimento econômico. Há o entendimento de que o BC está mantendo os juros elevados por um intervalo de tempo excessivo. Após um longo período em patamar restritivo, a autoridade monetária iniciou o ciclo de cortes em março, com a 1ª redução da taxa de juros desde 2024.

Para a CNI (Confederação Nacional da Indústria), a cautela excessiva por parte do Banco Central está sufocando a economia. “O custo do capital continuará em um nível proibitivo, inviabilizando projetos e investimentos que poderiam ampliar a competitividade industrial. Ao mesmo tempo, o endividamento das empresas e das famílias bate recorde mês a mês, fragilizando a saúde financeira de toda a economia”, afirma o presidente da confederação, Ricardo Alban. Leia a íntegra da nota da entidade (PDF – 323 kB).

A CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) elogiou o corte, mas afirmou que a Selic ainda está excessivamente elevada e continua sendo um dos principais entraves ao avanço do investimento produtivo.

A entidade entende que juros altos desestimulam a expansão da atividade econômica, limitam novos projetos e direcionam recursos para o mercado financeiro em detrimento do setor de construção.

A Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) alerta para impactos na geração de emprego e na renda, “especialmente em um ambiente ainda marcado por incertezas, tanto no cenário externo quanto no doméstico”.

“Esse cenário tende a intensificar os efeitos adversos já observados na economia, como a retração dos investimentos produtivos, o encarecimento do crédito, o aumento dos custos de produção e a perda de competitividade da indústria”, afirma a federação.

Leia a íntegra da nota da CBIC:

“A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) considera positiva a nova redução da taxa Selic anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que passou de 14,75% ao ano para 14,50% ao ano. Trata-se da segunda queda consecutiva da taxa básica de juros, em um cenário ainda marcado por fortes incertezas internacionais, pressão inflacionária e elevada volatilidade econômica.

“Apesar do movimento de redução, a taxa de juros permanece em um patamar muito elevado para a realidade da economia brasileira e continua sendo um dos principais entraves ao avanço do investimento produtivo no País. Juros altos desestimulam a expansão da atividade econômica, limitam novos projetos, encarecem o crédito e direcionam recursos para o mercado financeiro em detrimento do setor produtivo.

“A Construção Civil, setor estratégico para o desenvolvimento nacional, sente diretamente os efeitos desse cenário. O ambiente de juros elevados compromete a capacidade de expansão do setor e reduz o ritmo dos investimentos necessários para sustentar o crescimento econômico do país.

“A CBIC considera que o Brasil precisa atingir patamares de investimento mais próximos da média global, de 25,6%, mas o percentual ficou em 16,8% no ano passado. Esse cenário evidencia a necessidade de políticas econômicas que estimulem o investimento produtivo e garantam condições mais favoráveis para a retomada do crescimento sustentado.

“Embora a inflação continue exigindo atenção, especialmente diante do aumento dos preços de alimentos, transportes e das incertezas geopolíticas internacionais, é fundamental que o País avance gradualmente para um ambiente de juros mais compatível com suas necessidades de desenvolvimento.

“A continuidade do ciclo de redução da Selic é importante, mas o Brasil precisa acelerar a construção de um cenário macroeconômico que favoreça o investimento, a produção e a competitividade. A construção civil seguirá contribuindo de forma decisiva para esse processo, desde que existam condições adequadas para ampliar os investimentos e impulsionar o crescimento econômico sustentável”.

Leia a íntegra da nota da Fiemg:

“A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,50% ao ano, tende a aprofundar o enfraquecimento da atividade econômica, com impactos negativos sobre a geração de emprego e renda, especialmente em um ambiente ainda marcado por incertezas, tanto no cenário externo quanto no doméstico. A avaliação é da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG).

“A entidade reconhece a importância do controle inflacionário como pilar fundamental para a estabilidade econômica, mas manifesta preocupação com os efeitos negativos de um patamar elevado de juros por um período prolongado. As projeções do boletim Focus indicam revisão para cima das expectativas para a taxa Selic ao fim de 2026 e apontam que ela deve permanecer em dois dígitos, portanto, em nível restritivo, ao menos até 2028. Esse cenário tende a intensificar os efeitos adversos já observados na economia, como a retração dos investimentos produtivos, o encarecimento do crédito, o aumento dos custos de produção e a perda de competitividade da indústria.

“A FIEMG reforça a importância de uma condução mais equilibrada da política monetária, capaz de conciliar o controle da inflação com o estímulo ao crescimento econômico e ao fortalecimento da competitividade da indústria nacional. Em um contexto de elevada incerteza, é essencial que as decisões do Banco Central considerem os efeitos defasados das medidas já implementadas, bem como o elevado grau de restrição imposto pelo atual nível da taxa de juros, a fim de evitar impactos desproporcionais sobre a atividade produtiva e o mercado de trabalho”.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-economia/industria-considera-insuficiente-reducao-de-025-p-p-na-selic/

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