Inadimplência está perto do pico em várias modalidades de crédito

Percentual de brasileiros inadimplentes nas principais linhas é maior que no início do governo Lula

A inadimplência está próxima do nível recorde nas principais modalidades de crédito. É o caso de aquisição de veículos e de outros bens, crédito consignado e não consignado, além do rotativo do cartão de crédito, de acordo com dados do BC (Banco Central). 

Entre essas modalidades, só a inadimplência com a aquisição de outros bens que não está em um nível maior do que no início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O endividamento tem sido um dos principais desafios no final do 3º mandato de Lula. O percentual de famílias com dívidas alcançou 80,4% em março de 2026 –patamar recorde, de acordo com a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). 

Um dos pontos mais preocupantes, de acordo com o economista-chefe da 4intelligence, Bruno Imaizumi, é que, apesar do desemprego estar em um nível baixo, os recursos não estão indo para o pagamento de dívidas.

Em fevereiro, a taxa de desemprego foi de 5,8%, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

“Hoje, a gente tem um mercado de trabalho forte. A massa de renda das famílias cresce tanto pelo lado do trabalho, quanto via rendimentos. Só que isso não está sendo passado para o consumo e para redução de endividamento. Então, o que está acontecendo? Um dos principais motivos é que estamos em um momento com juros elevados”, declarou.

O Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu os juros em 0,25 p.p. (ponto percentual) para 14,75% ao ano em 18 de março. Com isso, a Selic deixou os 15% –maior patamar desde 2006– depois de 5 reuniões. 

POLÍTICA FISCAL PREOCUPA

Imaizumi cita ainda o descasamento entre política fiscal e monetária. “A gente tem uma política fiscal expansionista. Temos observado medidas do governo para estimular a atividade. Então, enquanto a política monetária aperta de um lado, o governo com o fiscal está afrouxando do outro”.

Em ano eleitoral, o governo vem aumentando os gastos, o “pacote de bondades” de Lula já soma R$ 423 bilhões. O expansionismo fiscal tende a manter a economia aquecida, enquanto o BC tenta desacelerar a atividade.

DESENROLA 2.0

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo pretende lançar um novo programa para renegociação das dívidas. De acordo com ele, a apresentação das medidas pode se dar em fases. O foco do programa serão 3 grupos: famílias, informais e pequenas empresas.

Já o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, propôs que o governo liberasse R$ 7 bilhões do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para 10 milhões de pessoas para pagamento de dívidas.

Para Imaizumi, as propostas citadas pelo governo miram o curto prazo. “O que o governo está fazendo é pensando na eleição. Essas medidas não são estruturais, são paliativas. Tendem a resolver questões individuais de curto prazo. Então, o governo está tentando de alguma maneira converter essa melhora mais rápida em voto”, afirmou. 

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-economia/inadimplencia-esta-perto-do-pico-em-varias-modalidades-de-credito/

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