Santiago Peña recebeu empresário em Assunção e disse que Havan já tem vínculos com o país via maquiladoras
O dono da rede de lojas Havan, Luciano Hang, se reuniu nesta 5ª feira (2.jul.2026) com o presidente do Paraguai, Santiago Peña (Partido Colorado, direita), em Assunção. O encontro faz parte de uma agenda de Hang pela capital paraguaia. Acompanhado de diretores e assessores, ele avalia a viabilidade de expansão internacional da marca.
Em seu perfil oficial no X, o presidente Santiago Peña afirmou que a Havan já mantém vínculos comerciais com o Paraguai, com parte da produção de lençóis, toalhas e outros artigos feita por meio de maquiladoras instaladas no território paraguaio.
“Luciano chegou atraído pelos excelentes comentários de outros empresários da região sobre as oportunidades que nosso país oferece”, afirmou Peña.
O presidente reforçou que, durante os 2 dias em que o empresário esteve no país, ele percorreu a capital, visitou o Palácio de López e se inteirou da dinâmica comercial local. O grupo está em fase de elaboração de um plano de negócios e análise de viabilidade para a abertura de lojas próprias no Paraguai.
Peña acrescentou que o interesse de grandes grupos econômicos internacionais demonstra que o país está no caminho certo. “Continuaremos trabalhando para atrair investimentos que se traduzam em mais e melhores empregos para os paraguaios”, completou.
Luciano Hang, por sua vez, elogiou o ambiente econômico paraguaio em seu perfil oficial no X. Após o encontro, afirmou: “O Paraguai vive um momento de grande transformação. Com impostos baixos, liberdade econômica, contas equilibradas e estímulo ao empreendedorismo, o país atrai investimentos e gera oportunidades”.
O empresário destacou ainda o perfil cultural local, que “preserva valores como família, o trabalho e a responsabilidade” e cria um “ambiente de estabilidade e confiança”. Hang completou: “Não é por acaso que cresce acima da média de muitos de seus países vizinhos e desperte cada vez mais o interesse daqueles que buscam segurança para investir, produzir e prosperar”.
Empresas no Paraguai
O Paraguai atraiu 232 empresas brasileiras desde 2007 para atuar dentro da Lei de Maquila –uma norma legal que permite a companhias estrangeiras voltadas para a exportação produzirem no país vizinho pagando menos impostos. Tais companhias são conhecidas como maquiladoras. O movimento se acentuou nos últimos anos, pois mais facilidades foram criadas para atrair negócios de outros países.
O principal atrativo é a baixa carga tributária. Fábricas sob esse regime têm impostos e encargos trabalhistas totais de 12%, em média, contra 80% no Brasil.
Segundo levantamento feito com base em dados do governo paraguaio e da Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai, o número de maquiladoras brasileiras corresponde a 70% das mais de 320 empresas estrangeiras que optaram pelo país vizinho.
CUSTO DO TRABALHADOR
Outra vantagem está no custo da mão de obra. Embora o salário-mínimo no Paraguai seja maior que o brasileiro (2,9 milhões guaranis, ou de R$ 2.300 a R$ 2.400, dependendo da cotação, contra R$ 1.621), os encargos trabalhistas são bem menores.
O funcionário contratado formalmente no Paraguai custa de 30% a 40% menos que um que é empregado seguindo as regras da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) no Brasil, uma lei criada em 1943 pelo ditador Getúlio Vargas (1882-1954) sob inspiração das regras fascistas da Itália, a Carta del Lavoro, modelo corporativista adotado na época e que passou por poucas reformas pontuais ao longo de décadas.
MENOS ENCARGOS
O Código Laboral do Paraguai é mais flexível do que a CLT. Prioriza a competitividade e a atração de negócios. O trabalhador, porém, tem menor proteção e menos benefícios.
A carga horária de trabalho semanal é de 48 horas no Paraguai, contra 44 horas semanais no Brasil.
No mercado brasileiro, em breve, deve haver uma redução para 40 horas semanais, com 2 dias de descanso por semana, como está em proposta de emenda à Constituição debatida pelo Congresso.
Caso o Brasil reduza a jornada para 40 horas semanais, como estabelece a proposta do fim da escala 6 X 1, o trabalhador paraguaio passaria a trabalhar 8 horas a mais por semana. Na prática, isso representaria cerca de 416 horas adicionais por ano —cerca de 50 dias úteis de trabalho a mais por ano do que um trabalhador brasileiro.