Crédito teve alta de 1,7% ante o ano anterior; taxas de juros variam de 8% a 12,5% com a queda da Selic
O governo federal lançou nesta 3ª feira (30.jun.2026) o Plano Safra 2026/27 para a Agricultura Empresarial, com R$ 525,1 bilhões em crédito para custeio, investimento e comercialização da produção agrícola. O valor representa um aumento de 1,7% em relação à safra anterior, ou R$ 9 bilhões a mais do que o destinado ao ciclo 2025/26.
Do total, R$ 384,9 bilhões serão destinados ao custeio e à comercialização —aquisição de insumos, condução das lavouras e manutenção dos rebanhos— e R$ 140,2 bilhões a investimentos em modernização e tecnologia. O Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural), voltado aos médios produtores, receberá R$ 72,6 bilhões, com taxa de juros de 9% ao ano.
O novo pacote oferecerá taxas de juros entre 8% e 12,5% ao ano. A taxa de custeio empresarial, principal mecanismo de financiamento do agronegócio, caiu de 14% para 12%, redução de 10% em relação ao último ciclo. A queda da Selic em relação ao ciclo anterior abriu espaço para a redução das taxas. No Plano Safra 2025/26, os juros variavam de 8,5% a 14% ao ano.
“A queda da taxa Selic abre uma importante janela para a redução do custo financeiro do produtor e para a ampliação da capacidade de contratação do crédito rural. Com juros menores, o produtor ganha mais previsibilidade para planejar a safra, realizar investimentos na propriedade e organizar sua atividade produtiva”, afirmou o Ministério da Agricultura.
Leia a tabela de juros do Plano Safra 26/27:
Pronamp –9%;
RenovAgro e PCA –9,5%;
PCA até 12 mil ton. –8,0%;
Custeio empresarial –12,5%;
Moderfrota –12,5%;
Inovagro –11,5%;
RenovAgro Ambiental e Recuperação/Conversão de pastagens –8,5%;
Proirriga e Invest. Empresarial –11,5%;
Prodecoop e Procap-Agro –12%;
Moderfrota Pronamp –11,5%.
O Plano Safra 2026/27 prevê incentivos para produtores rurais que adotarem práticas sustentáveis. A taxa de juros do financiamento de custeio poderá ser reduzida em até 1 ponto percentual. Metade desse desconto (0,5 ponto percentual) será destinada aos produtores com o CAR (Cadastro Ambiental Rural) regularizado. A outra metade será concedida aos que adotarem práticas sustentáveis e possuírem certificações reconhecidas.
Ministério da Agricultura e Pecuária
PLANO SAFRA 2026/2027
O governo federal lança nesta 3ª feira (30.jun.2026) o Plano Safra do biênio 2026/2027 para empresários e para a agricultura familiar, com novos valores de crédito rural e taxas de juros para o ciclo que começa em 1º de julho.
As medidas para o agronegócio e pequenos produtores serão anunciadas no Palácio do Planalto, mas em eventos separados. A partir das 10h, o governo divulga os números para a agricultura empresarial.
O evento é comandado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e pelo ministro da Agricultura, André de Paula. Também participam os ministros Dario Durigan (Fazenda), Fernanda Machiaveli (Desenvolvimento Agrário), Alexandre Silveira (Minas e Energia), Edipo Araujo (Pesca), Míriam Belchior (Casa Civil), Bruno Moretti (Planejamento) e Sidônio Palmeira (Secom), além do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), do ex-ministro de Portos e Aeroportos Silvio Costa Filho, do líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), e da presidente da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Silvia Massruhá.
Pércio Campos/Ministério da Agricultura
O Ministro da Agricultura André de Paula durante discurso no lançamento do Plano Safra
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está no Paraguai para a Cúpula do Mercosul e voltará ao Brasil ainda nesta 3ª feira, para participar do 2º anúncio, voltado aos pequenos produtores, às 17h. A poucos meses da eleição, deve usar o evento como aceno a esse segmento da população.
O pacote para a agricultura familiar que será anunciado por Lula terá R$ 85 bilhões. Assim, o montante total para o Plano Safra será de R$ 610 bilhões. A soma foi antecipada por Dario Durigan durante a cerimônia desta manhã.
O valor total ficará abaixo do recomendado pelos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, que haviam pedido R$ 652 bilhões, alta de 10% em relação à safra atual. As pastas queriam R$ 570 bilhões para médios e grandes e R$ 82 bilhões para pequenos, além de juros abaixo de 1 dígito.
O montante também não atende de maneira integral ao que era pleiteado pelo setor produtivo, que demandava de R$ 623 bilhões a R$ 674 bilhões em crédito rural.