Ministro afirma que encontrou sala do ex-chefe do GSI decorada com fotos de integrantes do serviço de informação da ditadura
O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse nesta 6ª feira (9.fev.2024) que, no início do governo, encontrou o seu gabinete cheio de fotos de integrantes do SNI (Serviço Nacional de Informações). A sala, localizada no Palácio do Planalto, antes era ocupada pelo general Augusto Heleno, chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) no governo de Jair Bolsonaro (PL).
“No 1º dia em que entrei aqui, eu fiquei chocado, porque essa parede branca aqui era forrada com fotos dos ex-diretores do SNI, que era a grande organização da polícia política da repressão da ditadura militar. Eram esses os ídolos que reverenciava o general Heleno, que estava aqui no gabinete”, declarou Padilha em vídeo publicado em seu perfil do X (ex-Twitter).
Assista (1min49s):
O ministro afirmou que a sala tinha uma estante recheada de livros como “Feminismo: perversão e subversão“, de Ana Caroline Campagnolo, e “O Mito – Os bastidores do Alvorada“, de autoria de Winston Emílio Kerber e Emílio Kerber.
“Era isso que inspirava a organização criminosa do golpe que estava aqui no 4º andar do Palácio do Planalto. Quando entrei aqui no dia 1º de janeiro [de 2023], tirando tudo o que estava aqui, eu tive a nítida percepção de que a gente tinha salvado a democracia brasileira”, declarou Padilha.
O general Augusto Heleno, que ocupava a sala antes de Padilha, é um dos alvos da operação da Polícia Federal que apura um suposto plano de golpe militar durante o governo Bolsonaro.
ENTENDA A OPERAÇÃO
A PF (Polícia Federal) deflagrou na 5ª feira (8.fev) a operação Tempus Veritatis (“Tempo da verdade”, em latim), que teve 33 alvos de busca e apreensão e 4 de prisão preventiva. A operação mirou aliados de Bolsonaro, como ex-ministros e ex-assessores ligados a seu governo.
Dentre as provas encontradas pelo inquérito, está –segundo a PF– um rascunho de decreto que teria sido modificado por Bolsonaro. O documento pedia novas eleições e determinava as prisões de Moraes, do ministro Gilmar Mendes e do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
O ex-presidente teve de entregar o seu passaporte para a PF. Além dele, também foram alvos:
Valdemar Costa Neto, presidente do PL. Ele foi preso em flagrante por porte ilegal de arma pelos agentes;
general Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional);
Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;
Walter Braga Netto (PL), ex-ministro da Casa Civil e candidato a vice-presidente;
Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa.
Veja imagens dos principais alvos:
O ex-presidente Jair Bolsonaro também foi um dos alvos; ele deve entregar seu passaporte à PF em até 24h
Walter Braga Netto, ex- ministro da Casa Civil, foi também candidato a vice-presidente de Jair Bolsonaro
Valdemar Costa Neto, presidente do PL e ex-deputado federal; ele foi preso em flagrante por porte ilegal de arma durante operação da PF nesta 5ª
General Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional)
Ex-ministro da Justiça Anderson Torres atuou no cargo durante o governo Jair Bolsonaro; ele era secretário de Segurança Pública do DF durante o 8 de Janeiro
Filipe Martins, ex-assessor para Assuntos Internacionais da Presidência
General Stevan Teófilo Gaspar de Oliveira, ex-chefe do Coter (Comando de Operações Terrestres do Exército)
Almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha durante o governo Bolsonaro
O ex-ministro da Defesa de Bolsonaro, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira
O ex-assessor de Bolsonaro, Marcelo Câmara, preso nesta 5ª feira (9.fev) | Reprodução/LinkedIn Marcelo Câmara – 8.fev.2024
Veja imagens das buscas em Brasília registradas pelo repórter fotográfico do Poder360, Sérgio Lima:
Operação da Polícia Federal mirou ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados por suposta tentativa de golpe durante sua gestão; na foto, viaturas da PF na casa do general Augusto Heleno, um dos alvos da ação desta 5ª feira (8.fev) | Sérgio Lima/Poder360 – 8.fev.2024
Heleno chefiou o GSI durante o governo Bolsonaro; na imagem, agentes da PF na quadra em que o general mora, na Asa Norte, em Brasília
Em operação, polícias andam em direção ao apartamento do general Heleno
Buscas fazem parte da operação Tempos Veritatis (tempo da verdade) da PF
Carros da polícia estacionados em frente ao apartamento do general Augusto Heleno
PF chega à sede do PL, no Complexo Brasil 21; na foto, duas viaturas, 7 agentes e 6 malotes
PF em operação na sede do PL; presidente do partido é Valdemar Costa Neto, preso na operação nesta 5ª feira (8.fev)
Busca e apreensão na sede do PL; na foto, polícias na garagem do Complexo Brasil 21