Depois da divulgação de foto pelo ICL, senador disse que não conhece Luiz Phillipi Mourão e questionou a autenticidade da imagem
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou nesta 5ª feira (16.jul.2026) que a foto em que aparece ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, foi manipulada com o uso de inteligência artificial. A declaração foi dada durante uma live de lançamento do programa Brasil por Elas, voltado à formulação de políticas públicas para mulheres.
Segundo a Polícia Federal, Sicário integrava o grupo de intimidação do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Flávio ainda criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por, segundo ele, não ter familiaridade com novas tecnologias.
“É um presidente da República que acha que a inteligência artificial só serve para manipular vídeos e fotos, como essa foto que manipularam recentemente que eu estava lá, sem camisa, de óculos escuro, queimadão de praia, do lado de um cara ali que tinha um dedo mindinho de 20 centímetros. Já viu isso? Quando eles fizeram a [foto por] IA, esqueceram de cortar o dedo do cara. Acho que ficaram com medo de deixar igual o Lula, vai que corta tudo, não corta só um pedaço do dedinho”, afirmou.
A imagem foi publicada na 4ª feira (15.jul) pelo portal ICL, que submeteu a fotografia a ferramentas de detecção de uso de inteligência artificial. Na foto, Flávio aparece ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão. O contexto em que o registro foi feito não foi informado.
IMAGEM EM INVESTIGAÇÃO
Segundo o ICL, a imagem foi obtida por uma fonte que pediu para não ser identificada e foi registrada em 2022, em um hotel na zona sul do Rio de Janeiro. A jornalista Juliana Dal Piva informou em sua reportagem que 5 ferramentas (Gemini, Hive Moderation, Sight Engine, Was It AI e Image Whisperer) foram usadas para avaliar se a imagem de Flávio e o Sicário tem indícios de que houve uso de IA. Ela declarou que nenhum sinal havia sido detectado.
Antes da declaração de Flávio na live, a assessoria do senador divulgou nota afirmando que ele “nunca viu” Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão e que não conhece a pessoa retratada na imagem.
O comunicado também levantou a hipótese de que a fotografia tenha sido produzida por inteligência artificial.
Em nota, a assessoria de Flávio disse ainda que ele é uma figura pública e que recebe pedidos de dezenas de pessoas para tirar foto. “Impossível o senador saber quem é cada uma das pessoas que dele se aproxima”, afirmou.
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, foi apontado pela Polícia Federal como coordenador do grupo “A Turma”, descrito pelos investigadores como uma milícia privada ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Ele foi preso em março de 2026 durante a 3ª fase da Operação Compliance Zero.
Divulgação/Polícia Militar de Minas Gerais – 4.mar.2026
Sicário, como Mourão é conhecido, integrava o “núcleo de intimidação” de adversários e opositores de Vorcaro, segundo a PF
Leia a nota da assessoria de Flávio Bolsonaro:
“O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, como figura pública e extremamente popular, recebe todos os dias pedidos de dezenas de pessoas pelas ruas para fotos. Impossível o senador saber quem é cada uma das pessoas que dele se aproxima. Flávio Bolsonaro reafirma que não conhece e nunca viu a pessoa na foto. É irresponsável tentar atribuir qualquer significado pessoal a uma imagem aleatória. Além disso, não se sabe qual a procedência da foto, nem se a imagem é real ou produzida por Inteligência Artificial.”
Leia mais sobre Flávio e o Master:
QUEM ERA O SICÁRIO
Luiz Phillipi Mourão integrava o “núcleo de intimidação” de adversários e opositores de Vorcaro, segundo a Polícia Federal. Na decisão que autorizou a operação contra ele em 4 de março, o ministro do Supremo André Mendonça, relator do caso, citou duas conversas entre Sicário e o ex-banqueiro que podem ser interpretadas como intimidação:
ameaça contra jornalista – Vorcaro fala sobre Lauro Jardim, que trabalha no jornal O Globo, e afirma que “tinha que colocar gente seguindo esse cara pra pegar tudo dele”. O Sicário responde: “Vou fazer isto”. Depois, o banqueiro declara ter vontade de “dar um pau” no profissional;
ameaça contra empregada – em outra conversa, Vorcaro diz ter sido ameaçado por uma empregada e afirma que “tem que moer essa vagabunda”. O Sicário pergunta o que é para fazer. O banqueiro então diz: “Puxa endereço tudo”.
Eis o que diz o despacho de Mendonça sobre Luiz Phillipi:
tinha relação direta com Vorcaro;
recebia R$ 1 milhão por mês por seus “serviços ilícitos” –o valor era pago por intermédio de Fabiano Zettel, também preso na operação de 4 de março;
era responsável pela obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e “neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado”;
há indícios de que ele acessava e colhia dados de sistemas restritos de órgãos públicos;
era quem coordenava o grupo conhecido como A Turma, responsável por intimidar as pessoas.
Leia a íntegra da decisão de Mendonça (PDF – 384 kB).
O apelido sicário vem do latim sicarius –sica é uma pequena adaga ou punhal. O general romano Lúcio Cornéio Sula (138-78 a.C.) usou o termo ao promulgar uma lei para punir principalmente assassinos de aluguel –a Lex Cornelia de Sicariis et Veneficiis.
Atualmente, o termo é associado a um matador de aluguel. No caso do México, por exemplo, costuma ser usado como uma referência a assassinos contratados por cartéis de drogas do país. Também ganhou popularidade com o filme “Sicario: Terra de Ninguém“, dirigido por Denis Villeneuve e protagonizado por Benicio Del Toro.