Ex-assessor de Biden vê origem provável da covid em laboratório

Ashish Jha foi coordenador da resposta à covid na Casa Branca; diz que evidências apontam para vazamento em Wuhan

Ashish Jha, ex-coordenador de resposta à covid-19 da Casa Branca, afirmou no domingo (2.ago.2026) que a origem da pandemia foi, provavelmente, um vazamento laboratorial em Wuhan, na China. A declaração surge em um momento em que são analisadas informações do diário pessoal de Anthony Fauci, ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA, que abordam o assunto.

“Quando entrei na Casa Branca, minha visão era de que isso quase certamente havia sido um surto de origem natural, talvez um vazamento de laboratório. Com base nas informações que obtive e nas que vi desde então, cheguei à conclusão de que é mais provável que tenha sido um vazamento de laboratório”, disse em entrevista à CNN.

“Essa é a minha melhor avaliação. Não estou sugerindo que sei ao certo, mas estou dizendo que minha melhor avaliação é que provavelmente foi um vazamento de laboratório”, afirmou.

Jha disse que passou a aconselhar “muitos governadores e prefeitos” em 2020. Também “estava falando com a Casa Branca” durante aquele ano, durante o governo de Donald Trump (Partido Republicano).

Em março de 2022, sob a gestão de Joe Biden (Partido Democrata), ele assumiu o cargo de coordenador da resposta da Casa Branca à covid-19. Ficou até junho de 2023.

Em publicação no X no domingo (2.ago), Jha disse que sua visão sobre as origens da covid “não é nova”. Segundo ele, nos EUA, “ninguém sabe com certeza” de onde veio o vírus causador da doença. 

“Qualquer um que te diga que sabe está te vendendo algo. Com base em fortes evidências circunstanciais que vi, acho que vazamento de laboratório é muito mais provável. Não projetado. Não deliberado. Acidental”, declarou.

“Pessoas razoáveis podem olhar para as mesmas evidências e discordar”, afirmou.

Anthony Fauci

O senador republicano Rand Paul (Kentucky) divulgou documentos contendo discussões internas de Anthony Fauci, ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA (Niaid), com sua equipe e com integrantes de outros setores do governo norte-americano. 

Fauci fala sobre a comunicação de uma baixa eficácia das vacinas contra a covid-19 e a possível origem do coronavírus.

Ao todo, são mais de 1.000 páginas de diários, e-mails e anotações produzidas por Fauci. Nas mensagens, defende que se evite dar destaque a informações que, em sua avaliação, poderiam prejudicar a campanha de vacinação e o combate à pandemia. Eis a íntegra, em inglês (PDF – 28 MB).

Os documentos mostram que Fauci começou a debater a hipótese de um acidente de laboratório em 31 de janeiro de 2020, durante uma teleconferência com pesquisadores organizada pelo cientista Jeremy Farrar. Os especialistas estavam divididos entre a tese de transmissão zoonótica e a de vazamento em laboratório em Wuhan, na China, sem que houvesse consenso na época.

Em maio de 2021, Fauci pressionou por uma atitude ativa de comunicação para evitar a percepção pública de culpa ou ocultamento. Em suas anotações, declarou ter tido “uma conversa longa e difícil por telefone” com a equipe do HHS, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos.

Em uma entrada do diário de 13 de agosto de 2022, Fauci detalha bastidores de uma tensão interna para conter um posicionamento do CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) que admitia a perda de eficácia das vacinas. Relatou ter pressionado o órgão a recuar de uma declaração de “ausência absoluta de eficácia das vacinas contra infecção e transmissão”. 

Fauci recorreu ao direito ao silêncio e invocou a 5ª Emenda da Constituição dos EUA durante depoimento em 29 de julho, perante a Comissão de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado dos Estados Unidos. Ele se recusou a responder aos questionamentos dos congressistas sobre as decisões tomadas na pandemia e a origem do vírus. Leia mais nesta reportagem do Poder360.

Mike Pence, vice-presidente dos EUA durante o 1º governo Trump, disse que “perdeu a conta do número de vezes” em que perguntou a Fauci se seria possível que o coronavírus tivesse vindo de um vazamento de laboratório em Wuhan. 

“Ele me garantiu várias vezes, mesmo com outros virologistas na mesa tendo uma visão diferente, que não poderia ter vindo de um laboratório”, declarou.

“Estou preocupado com o fato de que, até hoje, não responsabilizamos a China por um vírus que custou a vida de milhões de pessoas ao redor do mundo”, disse.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-internacional/ex-assessor-de-biden-ve-origem-provavel-da-covid-em-laboratorio/

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