Estatais estaduais tiveram saldo negativo de R$ 1,5 bilhão no período, também o maior da série histórica
As estatais federais registraram um deficit recorde no 1º trimestre de 2026. O saldo negativo foi de R$ 4,4 bilhões, o maior valor da série histórica, iniciada em 2002. Aumentou 151,2% em comparação com o mesmo período do ano passado.
O Banco Central divulgou os dados nesta 5ª feira (30.abr.2026). Eis a íntegra do comunicado (PDF – 396 kB).
A última vez que as estatais federais tiveram um superavit no 1º trimestre do ano foi em 2022, quando somou R$ 6,6 bilhões no período. O levantamento exclui as estatais financeiras –como o BB (Banco do Brasil), a Caixa Econômica Federal e o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social)– e também a Petrobras.
ESTATAIS ESTADUAIS
As estatais estaduais registraram um saldo negativo de R$ 1,5 bilhão, também o maior do período da série histórica.
Responsável por coordenar as gestões das estatais, o MGI (Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos) critica a metodologia do Banco Central para medir a saúde financeira das empresas. Para a equipe técnica do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os dados financeiros do BC não informam a real saúde financeira das empresas porque não detalham números contábeis, como as receitas, os custos, os ativos, os passivos e o lucro líquido.
O governo disse que as empresas estatais registraram lucro de R$ 136,3 bilhões de janeiro a setembro de 2025. Só os bancos públicos (Caixa, BB e BNDES) e a Petrobras registraram lucro de R$ 137,2 bilhões. O restante somado teve prejuízo.
O indicador do BC é relevante para medir o deficit das estatais pela ótica do impacto nas contas públicas e, portanto, na política fiscal do país. Quando uma estatal apresenta necessidade de financiamento, o Tesouro Nacional pode ter que cobrir a lacuna com mais dívida ou recursos arrecadados por impostos.
Um dos casos mais emblemáticos é o dos Correios. O prejuízo da companhia mais que triplicou em 2026 ante 2025. O resultado líquido negativo foi de R$ 8,5 bilhões em 2025. Subiu 226,9% em relação a 2024, quando o prejuízo foi de R$ 2,6 bilhões.