Endividamento das famílias atinge máxima histórica, diz BC

Segundo a autoridade monetária, o comprometimento de renda também atingiu o maior nível da série histórica, iniciada em 2005

Dados divulgados pelo Banco Central nesta 2ª feira (27.abr.2026) mostram que o endividamento das famílias atingiu 49,90% em fevereiro, acima do pico da série histórica (49,88%), em julho de 2022.

A autoridade monetária calcula o nível com base na RNDBF (Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias). A estatística, iniciada em 2005, mede a disponibilidade de recursos da população brasileira. É como um termômetro sobre a força do bolso das famílias.

A autoridade monetária reúne informações sobre ganhos financeiros com trabalho, ajudas do governo, rendas de aluguel, por exemplo, e desconta o pagamento de tributos. O que sobra é a renda disponível.

Para obter o endividamento das famílias, o Banco Central calcula a relação percentual entre o saldo das dívidas das famílias no mês de referência e a renda disponível acumulada em 12 meses.

COMPROMETIMENTO DE RENDA

O comprometimento de renda das famílias atingiu o recorde em janeiro, segundo o Banco Central. O dado é a relação percentual entre o valor médio estimado para o pagamento e a renda mensal das famílias.

O nível foi de 29,3% no mês. Subiu 1,8 ponto percentual em relação a 1 ano antes, em fevereiro de 2025. Com exceção do crédito habitacional, o comprometimento de renda das famílias foi de 27,1%, um percentual recorde.

Quem tem crédito mobiliário terá diluído o valor da dívida ao longo de todo o prazo de financiamento. Por exemplo: alguém que compre um imóvel de R$ 100 mil poderá pagá-lo em 5 anos, ou em parcelas de R$ 1.666 mensais.

Já uma pessoa que tem uma dívida de R$ 2.000 no rotativo do cartão de crédito terá que desembolsar todo o valor em 1 mês. Ou seja, a totalidade da dívida.

O comprometimento de renda das famílias tem um efeito relevante com as operações emergenciais, em particular o rotativo do cartão de crédito.

GOVERNO PLANEJA PACOTE

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse, em 13 de abril, que a equipe econômica anunciaria medidas para reduzir as dívidas das famílias brasileiras depois da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ele chegou em Brasília em 21 de abril. Na última semana, passou por cirurgias consideradas simples no Sírio-Libanês, em São Paulo. Nesta 2ª feira (27.abr), terá agendas no Palácio da Alvorada, mas não há registros de encontro com Durigan.

O CMN (Conselho Monetário Nacional) decidiu barrar as operações de mercados preditivos que envolvem apostas sobre eleições, esportes e reality shows. Durigan declarou na 6ª feira (24.abr) que o mercado de apostas baseado em previsões operou em um cenário de “anarquia” no Brasil nos últimos anos, que expõe os brasileiros a riscos enormes.

“A medida adotada hoje busca proteger a renda, evitar perdas financeiras para as pessoas e reduzir a exposição das famílias a práticas inseguras”, disse o ministro.

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Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-economia/endividamento-das-familias-atinge-maxima-historica-diz-bc/

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