El Niños “muito fortes” encareceram a conta de luz no Brasil

Fenômeno tem 63% de chance de ocorrer no 2ª semestre deste ano; levantamento considerou impacto de El Niños desde 2015

Meses com El Niño “muito forte” tiveram o maior peso médio das bandeiras tarifárias na conta de luz, segundo levantamento do Poder360 com dados da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, na sigla em inglês), agência climática dos Estados Unidos.

Nesses períodos, o valor adicional cobrado pelas bandeiras correspondeu, em média, a 7,6% da tarifa-base residencial de energia elétrica. O percentual é 62,1% maior do que o registrado em meses sem El Niño, quando o peso médio das bandeiras foi de 4,7%.

O cálculo compara o valor adicional cobrado por kWh pelas bandeiras tarifárias com a média nacional da tarifa-base residencial de cada mês. A análise considera os meses com registro de El Niño desde janeiro de 2015, quando o sistema de bandeiras tarifárias entrou em vigor. Quando a bandeira é verde, não há cobrança adicional, e o peso considerado é de 0%. 

O  impacto dos El Niños na conta de luz, revela o levantamento, variou conforme a intensidade do fenômeno.

Nos meses classificados como de El Niño “muito forte”, o peso médio da bandeira foi de 7,6%;
Nos meses de El Niño “moderado”, foi de 5,3%;
Em meses sem El Niño, a média foi de 4,7%;
 Já os El Niños “fracos” e “fortes” tiveram, na média, tarifas mais baratas: adicional de 3,5% e 2,7%, respectivamente.

Os dados indicam que o El Niño pode pressionar a conta de luz, mas não de forma automática. O fenômeno altera o regime de chuvas e, por isso, pode afetar a geração das hidrelétricas. 

Quando há menos água disponível nos reservatórios ou piora nas condições hidrológicas, o sistema elétrico pode precisar acionar mais usinas térmicas, que produzem energia mais cara. Esse custo adicional chega ao consumidor por meio das bandeiras tarifárias.

A relação, porém, não é direta em todos os anos. O efeito depende de onde e quando as chuvas ocorrem, do nível dos reservatórios antes do fenômeno, da demanda por energia, da oferta de outras fontes e das decisões de operação do sistema. Por isso, El Niños de intensidade semelhante podem ter impactos diferentes na tarifa.

A NOAA informou nesta 5ª (11.jun.2026) que as condições de El Niño já estão presentes no Pacífico Equatorial e devem se fortalecer durante o inverno do Hemisfério Norte de 2026-2027. Segundo a agência, há 63% de chance de o fenômeno atingir intensidade “muito forte” entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, o que o colocaria entre os maiores eventos da série histórica iniciada em 1950.

No Brasil, o efeito do El Niño na conta de luz dependerá principalmente do volume de chuvas nas regiões onde estão as hidrelétricas. Na 4ª feira (10.jun), o governo informou em reunião do CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) que as chuvas que abastecem os reservatórios ficaram abaixo da média em maio nas regiões Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Norte. O Sul foi a exceção, com volume acima da média.

Para junho de 2026, a previsão também indica um cenário de atenção. Segundo os dados apresentados ao CMSE, o volume de água que deve chegar às hidrelétricas do país pode ficar entre 67% e 76% da média histórica. No pior cenário, seria o 4º menor patamar em 96 anos. O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) afirmou que seguirá monitorando as condições de chuva e dos reservatórios para definir como o sistema elétrico será operado. 

A bandeira tarifária em vigor para o mês de junho é a amarela. Nessa faixa, há acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.

METODOLOGIA

O cálculo compara o valor adicionado (por kWh) da bandeira tarifária de um determinado mês –com ou sem El Niño– com a média da tarifa-base cobrada pelas distribuidoras no mesmo período. O “peso” referido no infográfico diz respeito ao % do valor adicionado pela bandeira na tarifa-base. Para a classificação de intensidade de El Niños, foram utilizados os parâmetros estabelecidos pela NOAA.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-energia/el-ninos-muito-fortes-encareceram-a-conta-de-luz-no-brasil/

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