Dívida bruta atinge 81,9% do PIB em junho, diz Banco Central

O setor público consolidado registrou alta no deficit primário em junho ante o mesmo mês de 2025 para R$ 55,3 bilhões

A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) atingiu 81,9% do PIB (Produto Interno Bruto) em junho, o que corresponde a R$ 10,8 trilhões. O BC (Banco Central) divulgou os dados nesta 6ª feira (31.jul.2026).

Eis a íntegra das estatísticas fiscais de junho (PDF-383 KB).

A autoridade monetária considera para o cálculo o governo federal, os governos estaduais, os municipais e o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). O dado subiu em relação ao mês anterior, quando estava em 81,1% do PIB.

De acordo com o BC, a evolução da dívida bruta é resultado da alta dos juros nominais apropriados, de 0,8 p.p. (ponto percentual) e das emissões líquidas de dívida, de 0,6 p.p.. A variação negativa de 0,5 p.p. do PIB nominal também contribuiu para o avanço.

DEFICIT PRIMÁRIO

O setor público consolidado registrou deficit primário de R$ 55,3 bilhões em junho, ante deficit de R$ 47,1 bilhões no mesmo mês de 2025. 

Os dados do setor público consolidado incluem governo central –composto por Previdência, Tesouro e próprio BC– Estados, municípios e estatais. Entretanto, não entram no cálculo empresas do grupo Petrobras e bancos públicos, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

O governo central registrou rombo de R$ 47,2 bilhões. Os governos regionais tiveram saldo negativo de R$ 6,6 bilhões, enquanto nas empresas estatais, o deficit foi de R$ 1,5 bilhão.

Em 12 meses, o setor público consolidado acumulou déficit de R$ 157,2 bilhões, equivalente a 1,19% do PIB. O valor é 0,06 p.p. acima do déficit acumulado até maio.

O resultado é composto pelo saldo negativo de R$ 139,739 bilhões do governo central, além do deficit de R$ 9 bilhões nos Estados e municípios e do rombo de R$ 8,5 bilhões das empresas estatais.

Ao considerar o resultado nominal, que inclui o pagamento dos juros da dívida pública, o setor público consolidado registrou déficit de R$ 166 bilhões em junho. No mesmo mês de 2025, o rombo havia sido de R$ 108,107 bilhões.

Os juros nominais do setor público consolidado somaram R$ 110,7 bilhões em junho de 2026, ante R$ 61 bilhões em junho de 2025. Contribuiu para esse crescimento a evolução desfavorável do resultado das operações de swap cambial no período (ganho de R$ 20,9 bilhões em junho de 2025 e perda de R$ 9,3 bilhões em junho de 2026). 

No acumulado de 12 meses, o déficit nominal atingiu R$ 1,3 trilhão, o equivalente a 10% do PIB, alta de 0,38 p.p. do PIB em relação ao mês anterior. Desse total, R$ 1,2 trilhão correspondem aos gastos com juros da dívida, valor equivalente a 8,8% do PIB. Em maio, essa despesa era de R$ 1,1 trilhão, ou 8,48% do PIB.

DÍVIDA LÍQUIDA

A DLSP (Dívida Líquida do Setor Público) atingiu 68,5% do PIB, o equivalente a R$ 9 trilhões em junho, alta sobre os 67,9% do mês anterior.

Esse resultado refletiu, sobretudo, os impactos dos juros nominais apropriados (0,8 p.p.), do déficit primário (0,4 p.p.), dos demais ajustes da dívida externa líquida (0,1 p.p.), da desvalorização cambial de 2,4% no mês (-0,2 p.p.) e do efeito da variação do PIB nominal (-0,4 p.p.). 

No ano, a DLSP cresceu 3,2 p.p. do PIB, refletindo, em especial, os impactos dos juros nominais (4,3 p.p.), do déficit primário acumulado (0,6 p.p.), do efeito da valorização cambial acumulada de 5,9% (0,6 p.p.), e do crescimento do PIB nominal (-2,2 p.p.).

 

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-economia/divida-bruta-atinge-819-do-pib-em-junho-diz-banco-central/

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