Gasto médio será de 7,64% do PIB, a maior parcela do deficit nominal médio previsto para o 3º mandato (8,54% do PIB)
A despesa do setor público consolidado –União, Estados, municípios e estatais– com juros da dívida será recorde no 3º governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O gasto médio será 7,64% do Produto Interno Bruto.
O pico anterior havia sido no 1º mandato de Lula, de 2003 a 2006, quando o pagamento médio foi de 7,25% do PIB. O governo Jair Bolsonaro (PL) teve o menor patamar da história com esse tipo de despesa (4,97%). O percentual foi impactado pela pandemia de covid-19, quando o Banco Central reduziu o juro-base, chegando até 2% ao ano, para estimular a economia em momento de crise sanitária.
O gasto com juros da dívida está em trajetória de expansão. No acumulado de 12 meses até março, o setor público consolidado pagou R$ 1,08 trilhão com juros da dívida, o maior valor anualizado em termos nominais da série histórica. A despesa em base anual era de R$ 1,037 trilhão em fevereiro e de R$ 935 bilhões em março de 2025.
Lula culpou o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto pelos juros elevados. Foram dezenas de críticas, que começaram em 18 de janeiro de 2023 e se estenderam até a saída do ex-banqueiro central do cargo. Indicado pelo governo, Gabriel Galípolo foi poupado das reclamações de Lula, apesar de ter votado para subir a taxa básica, a Selic, depois da saída de Campos Neto.
A Selic tem efeito importante no encarecimento dos juros da dívida. Quando Campos Neto saiu do cargo, em dezembro de 2024, o juro-base estava em 12,25% ao ano. Com Galípolo, subiu para 15% ao ano em junho de 2025, e permaneceu neste patamar até março de 2026.
O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu cortar a taxa básica para 14,50% ao ano na reunião de 4ª feira (29.abr.2026).
Eis o histórico anual de gastos com juros da dívida no governo Lula:
2023: -6,56% do PIB;
2024: -8,07% do PIB;
2025: -7,91% do PIB;
2026: -8,0% do PIB (estimativa do Boletim Focus).
POLÍTICA MONETÁRIA
Os agentes financeiros avaliam que a Selic elevada serve para desaquecer a economia em um cenário de inflação que caminha para fora da meta. A taxa anualizada do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) foi de 4,14% em março, mas as projeções indicam que subirá para 4,86% até o fim do ano por causa dos efeitos da guerra no Oriente Médio.
A meta de inflação é de 3%, com tolerância de até 4,5%. Caso a taxa do IPCA fique por 6 meses acima de 4,5%, o Banco Central terá que publicar uma carta dando explicações para o descumprimento do objetivo inflacionário.
Outra justificativa de economistas para o juro elevado é o desequilíbrio fiscal do país. A falta de reformas estruturais que revisem a trajetória das despesas públicas contribuiu para o aumento da trajetória dos juros de longo prazo.
Aliados do governo Lula avaliam que a Selic alta é um obstáculo ao crescimento, além de financiar os chamados “rentistas” do setor financeiro. Defendem que, sob Lula, a inflação registrou o menor patamar da história para um mandato.
O PT (Partido dos Trabalhadores) criticou, em outubro de 2024, as decisões de política monetária com base nas expectativas dos agentes financeiros com o Boletim Focus. Afirmou que quase a totalidade dos analistas são do sistema financeiro, o que não torna o Banco Central influenciado pelos bancos. “É o mercado que manda no BC ‘autônomo”, disse a deputada federal e ex-presidente do PT Gleisi Hoffmann (PR).
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, já se posicionou de forma contrária ao defendido pelo partido do presidente Lula:
Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-economia/despesa-com-juros-da-divida-sera-recorde-no-governo-lula/