Em petição protocolada nesta 6ª, os advogados do ex-presidente afirmaram a Moraes que Bolsonaro só leu os documentos 1 ano depois da eleição de 2022
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protocolou nesta 6ª feira (9.fev.2024) petição. Os advogados dizem que o ex-chefe do Executivo não tinha conhecimento das minutas encontradas pela Polícia Federal durante o pleito de 2022. O texto sugeria um estado de sítio.
Segundo a defesa, Bolsonaro pediu para imprimir os documentos depois que constatou, em outubro de 2023, de que haviam sido enviadas ao seu celular pelo então ajudante de ordens Mauro Cid. Eis a íntegra (PDF – 3 MB) da petição protocolada.
Os advogados declaram que a minuta encontrada na 5ª feira (8.fev.2024) foi impressa porque o ex-presidente tem problemas de visão e não conseguia lê-la pelo celular.
Segundo a defesa, depois da prisão de Cid determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, em 3 de maio, o ex-presidente pediu ao seu advogado para que as conversas no seu celular fossem vasculhadas. Então, em outubro de 2023, ele recebeu do advogado o encaminhamento da troca de mensagens com Cid e, consequentemente, teve acesso às minutas.
A defesa afirma que Bolsonaro pediu para que o conteúdo das minutas fosse impresso porque não conseguia ler os arquivos enviados pelo WhatsApp.
“O ex-presidente não tem o costume de fazer a leitura de textos no próprio telefone celular, certamente em razão das dimensões limitadas de tela e a necessidade hodierna de uso de lentes corretivas, razão porque pediu à sua assessoria a impressão do documento em papel”.
Os advogados do ex-presidente dizem a Moraes que não havia razão aparente para descartar as minutas golpistas impressas, que ficaram guardadas e foram encontradas pela PF.
“Os arquivos impressos provavelmente permaneceram no escritório do peticionário, que jamais obtemperou com a hipótese de virem a ser objeto de apreensão e havidos como elementos de investigação em seu desfavor, como precipitadamente ocorreu na data de ontem, razão porque não teve qualquer preocupação em descartá-los após a leitura”.
Na petição, os advogados anexaram as 2 minutas impressas cujo conteúdo atesta para a “necessidade de estado de sítio” e conclamação de intervenção das Forças Armadas no STF (Supremo Tribunal Federal) durante as eleições de 2022.
ENTENDA A OPERAÇÃO
A PF (Polícia Federal) deflagrou na 5ª feira (8.fev) a operação Tempus Veritatis (“Tempo da verdade”, em latim), que teve 33 alvos de busca e apreensão e 4 de prisão preventiva. A operação mirou aliados de Bolsonaro, como ex-ministros e ex-assessores ligados a seu governo.
Dentre as provas encontradas pelo inquérito, está –segundo a PF– um rascunho de decreto que teria sido modificado por Bolsonaro. O documento pedia novas eleições e determinava as prisões de Moraes, do ministro Gilmar Mendes e do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
O ex-presidente teve de entregar o seu passaporte para a PF. Além dele, também foram alvos:
Valdemar Costa Neto, presidente do PL. Ele foi preso em flagrante por porte ilegal de arma pelos agentes;
general Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional);
Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;
Walter Braga Netto (PL), ex-ministro da Casa Civil e candidato a vice-presidente;
Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa.
Veja imagens dos principais alvos:
O ex-presidente Jair Bolsonaro também foi um dos alvos; ele deve entregar seu passaporte à PF em até 24h
Walter Braga Netto, ex- ministro da Casa Civil, foi também candidato a vice-presidente de Jair Bolsonaro
Valdemar Costa Neto, presidente do PL e ex-deputado federal; ele foi preso em flagrante por porte ilegal de arma durante operação da PF nesta 5ª
General Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional)
Ex-ministro da Justiça Anderson Torres atuou no cargo durante o governo Jair Bolsonaro; ele era secretário de Segurança Pública do DF durante o 8 de Janeiro
Filipe Martins, ex-assessor para Assuntos Internacionais da Presidência
General Stevan Teófilo Gaspar de Oliveira, ex-chefe do Coter (Comando de Operações Terrestres do Exército)
Almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha durante o governo Bolsonaro
O ex-ministro da Defesa de Bolsonaro, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira
O ex-assessor de Bolsonaro, Marcelo Câmara, preso nesta 5ª feira (9.fev) | Reprodução/LinkedIn Marcelo Câmara – 8.fev.2024
Veja imagens das buscas em Brasília registradas pelo repórter fotográfico do Poder360, Sérgio Lima:
Operação da Polícia Federal mirou ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados por suposta tentativa de golpe durante sua gestão; na foto, viaturas da PF na casa do general Augusto Heleno, um dos alvos da ação desta 5ª feira (8.fev) | Sérgio Lima/Poder360 – 8.fev.2024
Heleno chefiou o GSI durante o governo Bolsonaro; na imagem, agentes da PF na quadra em que o general mora, na Asa Norte, em Brasília
Em operação, polícias andam em direção ao apartamento do general Heleno
Buscas fazem parte da operação Tempos Veritatis (tempo da verdade) da PF
Carros da polícia estacionados em frente ao apartamento do general Augusto Heleno
PF chega à sede do PL, no Complexo Brasil 21; na foto, duas viaturas, 7 agentes e 6 malotes
PF em operação na sede do PL; presidente do partido é Valdemar Costa Neto, preso na operação nesta 5ª feira (8.fev)
Busca e apreensão na sede do PL; na foto, polícias na garagem do Complexo Brasil 21