Data centers devem crescer nos próximos 5 a 10 anos, diz Schneider

Rafael Segrera diz que inteligência artificial elevará demanda e abrirá espaço para novos investimentos no Brasil

O mercado de data centers deve continuar em expansão pelos próximos 5 a 10 anos, segundo o presidente da Schneider Electric para a América do Sul, Rafael Segrera. Para o executivo, o avanço da inteligência artificial elevará a demanda por infraestrutura e abrirá espaço para investimentos no Brasil.

A declaração foi dada em entrevista ao Poder360, gravada na 4ª feira (12.ago.2026), em Brasília.

“O crescimento é exponencial. […] Nós achamos que esse crescimento ainda está na 1ª fase. A demanda vai continuar”, disse.

Assista à íntegra da entrevista de Rafael Segrera ao Poder360:

A Schneider não administra data centers. A companhia fornece parte da infraestrutura necessária ao funcionamento dessas instalações, como sistemas de distribuição elétrica, nobreaks, estruturas para servidores, equipamentos de refrigeração e programas de monitoramento e gestão.

Com a expansão do setor, os data centers ganharam participação nos negócios da companhia. Segundo Segrera, o segmento representava menos de 10% das atividades da Schneider há 5 anos e agora se aproxima de 30%.

A apresentação dos resultados de 2025 informa que data centers e redes responderam por 30% dos pedidos da companhia. A Schneider estima crescimento anual superior a 10% para esse mercado até 2030.

O avanço está relacionado à digitalização de empresas e governos e à adoção de sistemas de inteligência artificial, que exigem maior capacidade de processamento.

“Isso precisa de infraestrutura. E os data centers são a infraestrutura para isso, porque os chips estão em racks, e esses racks têm que estar em algum lugar”, afirmou.

Segrera declarou que a América Latina ainda não recebeu a mesma onda de investimentos observada nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia. Para ele, o Brasil reúne condições naturais e técnicas para atrair projetos, mas precisa oferecer custos competitivos, segurança jurídica e regras claras.

“O mercado gosta de transparência, o mercado gosta de regras claras. Não espera incentivo, espera simplesmente clareza”, disse.

DATA CENTERS NO BRASIL

A participação das fontes renováveis na matriz elétrica e a disponibilidade desses recursos para expansão têm atraído projetos ao Brasil, segundo a EPE.

A empresa afirma, porém, que a conexão de grandes consumidores, como data centers, exigirá reforços e ampliações na rede de transmissão. A EPE estuda obras para atender projetos em Estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Piauí e Rio Grande do Sul.

Os pedidos de conexão de projetos de data centers ao sistema elétrico somavam 19,8 gigawatts em setembro de 2025. O volume subiu para 26,2 gigawatts em novembro, alta de 6,4 gigawatts. A EPE diz que nem todos os projetos serão necessariamente construídos.

O governo instituiu o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter) em 17 de setembro de 2025. O programa suspendia a cobrança de tributos federais na compra e na importação de equipamentos destinados aos empreendimentos.

A medida provisória perdeu a validade em 25 de fevereiro de 2026 sem ser votada pelo Congresso. Um dia antes, a Câmara aprovou o PL 278 de 2026, que retoma o programa. A proposta está em análise no Senado.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-infra/data-centers-devem-crescer-nos-proximos-5-a-10-anos-diz-schneider/

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